Depois de 12 dias de greve, os policiais civis e militares podem voltar às atividades hoje na Bahia. Preocupado em recuperar a imagem do Estado, que ficou abalada depois do início do movimento, o governo baiano apresentou, ontem, uma proposta de 21% de reajuste salarial para a categoria.
De acordo com a proposta, os PMs teriam um aumento de 10% no próximo dia 1º, 5% em 1º de maio e mais 5% em 1º de julho de 2002. O primeiro reajuste (10%) vai incidir sobre o salário-base, que é de R$ 180. Os demais, sobre o valores da época do aumento. A partir de julho do ano que vem, o menor salário pago pelo Estado a um policial que faz trabalhos de rua na Bahia será de R$ 875, incluindo as gratificações. Atualmente, o salário (com as gratificações) é de R$ 575.
Além do reajuste salarial, o governo se comprometeu a pagar mais R$ 80 por mês de auxílio-alimentação para todos os soldados que fazem trabalhos de rua na capital. Em troca, as refeições deixam de ser fornecidas pelos batalhões e companhias independentes.
Os PMs também ficariam isentos do pagamento da farda (o desconto mensal é de R$ 19,80) e ganham um plano de gratificação que vai contemplar 17 mil militares e civis.
A proposta do governo foi aceita pelos líderes grevistas durante uma reunião que durou quase sete horas. A categoria fez assembléia ontem à noite para decidir se voltaria ao trabalho. Até o fechamento desta edição, a reunião não havia acabado,
‘‘Na verdade, não foi o desejável (a proposta do governo). Mas os policiais devem uma resposta de respeito à sociedade’’, disse o capitão da reserva e deputado estadual Tadeu Fernandes (PSC).
Inicialmente, as duas categorias reivindicavam um piso unificado de R$ 1.200. O governo oferecia um reajuste de 14% sobre o salário-base.
Mesmo com a iminência do acordo, a presença de tropas do Exército, helicópteros, carros blindados e 800 soldados da PM nas ruas não foi suficiente para conter a onda de violência.
Ontem pela manhã, quando representantes dos grevistas e do governo do Estado discutiam a possibilidade de encerrar o movimento, 15 pessoas incendiaram uma loja de móveis na Baixa dos Sapateiros.

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