Governo croata é linha-dura com magnatas "intocáveis"
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Eugene Brcic 
Zagreb (AE-AP) - Miroslav Kutle tinha tudo: um império no valor de bilhões, um estilo de vida compatível com o da realeza e amigos em altos postos que cuidavam dele. Agora, o mais notório bilionário instantâneo da Croácia está na cadeia, junto com o ex-ministro de gabinete e mais de uma dúzia de políticos intocáveis e magnatas que já foram considerados intocáveis, todos vítimas da alta roda da nova campanha do governo de combate à corrupção.
Embora nenhum tenha sido condenado, eles são suspeitos de acumular fortunas por suas ligações com o partido do último presidente, Franjo Tudjman, que comandou o país de 1990 até as eleições parlamentares em janeiro. "Parece que a corrupção se desenvolveu como resultado desta aliança entre política e negócios e prosperou desde então", disse o novo ministro da justiça, Stjepan Ivanisevic.
Os capitalistas amigos do poder na Croácia, aparentemente receberam grandes favores, dentre eles monopólios, licenças e generosos empréstimos durante a privatização dos bens do estado.
Em vez de serem motores da reforma na transição para a economia de mercado, Kutle e os outros envolvidos supostamente drenaram o dinheiro das companhias, levando-as á falência e forçando dezenas de milhares de trabalhadores para fora de seus postos de trabalho.
"É fato que o processo de privatização foi outro nome para crime" e corrupção, diz Hrvoje Vojkovic, o novo chefe do Fundo de Privatização do estado. "O processo serviu largamente aos interesses de grupos políticos em detrimento do interesse público."
E este padrão foi repetido por toda a Europa Oriental após o fim do comunismo. Na Croácia, porém, o novo governo decidiu responsabilizar as oligarquias depois que a velha ordem foi despedaçada com a morte de Tudjman em dezembro e a perda de poder pelo seu partido.
As sanções foram estendidas além dos casos ligados aos altos círculos. Uma série recentes de prisões atingiu um professor de universidade acusado de aceitar propinas e um secretário da administração municipal que coletava taxas quando fazia-se passar pelo chefe do órgão que emite permissões para construção.
Mas as prisões, ocorridas nos últimos dois meses, de pessoas amplamente conhecidas como Kutle, o ex-ministro do turismo Ivan Herak e Stipe Gabric, prefeito de Metkovic, parecem ser uma tentativa de enviar um claro sinal aos croatas de que o governo encara seriamente sua campanha anticorrupção.
Dono de restaurante em 1991, Kutle obteve o controle de mais de 150 companhias na metade da década de 90. Ele foi detido no mês passado sob acusação de apropriar-se indevidamente de US$ 25 milhões do Tisak, a mais rentável distribuidora de mídia do país.
"Os fatos são verdadeiros", disse Ante Nobilo, advogado de Kutle. "Mas nós alegamos que ele não infringiu a lei. Ele apenas explorou os buracos existentes nela." Numa recente audiência preliminar, Kutle disse que o caso contra ele era um "julgamento político" e uma "tática de marketing do novo governo".
Outros capitalistas acusados são suspeitos de saquear os monopólios do estado enquanto montavam suas próprias empresas para suplantá-los e de usar suas ligações políticas para conquistar contratos exclusivos para fornecer os exércitos croatas e bósnios, os quais eram grosseiramente superfaturados.
O ex-vice ministro dos transportes Zvonimir Vedris é acusado de ter embolsado US$ 2,5 milhões de fundos quando era consultor para projetos de desenvolvimento que existiam apenas no papel.
O ex-ministro do turismo Ivan Herak teria apropriado-se de US$ 1,5 milhões de fundos do governo, alguns dos quais serviriam para pagar os salários de funcionários de hotéis estatais. Os promotores públicos acreditam que o dinheiro foi usado para financiar um negócios imobiliário da esposa do ex-ministro.


