Governo cria telecentros contra a exclusão digital
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de maio de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O poder público está acordando para um problema que atinge quase 90% da população brasileira: a falta de acesso à tecnologia da informação. A ''exclusão digital'', como o tema vem sendo tratado, começa agora a aparecer com maior destaque nas propostas de governo. O assunto foi debatido, ontem, na Câmara de Curitiba, no seminário ''Por uma Política Pública de Inclusão Digital'', promovido pelo Comitê para Democratização da Informática do Paraná (CDI-PR), com apoio do vereador Pedro Paulo (PT).
O presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Sérgio Amadeu da Silveira, disse que ''o governo federal vai encarar a exclusão digital como um problema importante e tratá-lo como política pública''. A idéia é organizar projetos e racionalizar as iniciativas já existentes. As propostas serão coordenadas pela Câmara de Inclusão Digital, que está sendo criada.
Um dos projetos, adiantou Silveira, trata da criação de ''telecentros''. Serão unidades onde a população poderá acessar a rede mundial de computadores, ter cursos de informática e onde serão desenvolvidos outros projetos comunitários.
No Paraná, a idéia dos telecentros já está sendo colocada em prática por meio do programa ''Paranavegar''. O governo do Estado inaugurou esta semana seu primeiro ''telecentro'' na cidade de Ventania. Outra unidade está sendo implantada em Guaraqueçaba, no Litoral, e deve começar a funcionar dentro de dez dias.
De acordo com o diretor-presidente da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), Marcos Mazoni, a meta para este ano é implantar telecentros nos 15 municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e chegar a 50 unidades até o final da atual gestão. Os centros serão geridos em parceria entre Celepar e comunidades. Além do acesso gratuito à internet, as comunidades poderão ''se familiarizar com serviços que a informática pode oferecer''.
Outra proposta do governo é informatizar as 2.037 escolas da rede estadual de ensino. Os projetos de inclusão digital, segundo Mazoni, estão em sintonia com as políticas de inclusão social.
O Paraná está entre os cinco estados com melhor condição de acesso à informática, conforme Mapa da Exclusão Digital divulgado recentemente pelo CDI Nacional. Mas mesmo assim, o índice de inclusão não é muito animador de cada oito paranaenses, apenas um tem computador em casa, o que equivale a cerca de 14% da população do Estado.


