O ministro do Trabalho, Edward Amadeo, anunciou ontem a criação do Cadastro Nacional de Empregos - um sistema unificado e informatizado de oferta de empregos. Bahia, Rio e São Paulo vão ser o ponto de partida para a formação do sistema nacional.
‘‘A primeira condição para montar o sistema nacional é a de que essas centrais se integrem a um plano estadual’’, explicou Amadeo. ‘‘Depois, será preciso unificar o software, para que as agências falem a mesma linguagem’’. O banco de dados informatizado e alimentado permanentemente pelas centrais estaduais poderia ser veiculado pela Internet. No ano que vem, o ministério vai começar a trabalhar na utilização de um software comum nessas agências já informatizadas da Bahia, São Paulo e Rio. ‘‘É um processo que, imagino, pode estar concluído em dois anos’’, previu.
Com o sistema nacional, o trabalhador poderá localizar ofertas de trabalho em todo o País - mas o ministro espera que as vagas sejam preenchidas por pessoas da região. ‘‘Um morador de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), por exemplo, pode localizar na agência de lá um emprego no Centro, mas a idéia não é a de que o sujeito de Manaus venha para o Rio’’, afirmou.
O anúncio foi feito durante a abertura do 2º Encontro das Comissões Municipais de Emprego do Estado do Rio de Janeiro. Amadeo afirmou que o financiamento do programa deverá vir do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e de parcerias entre o governo federal e as Secretarias Estaduais de Trabalho.
Amadeo, no entanto, não quis falar sobre a previsão de queda na oferta de empregos formais divulgada em estudos acadêmicos, nem revelou qual a taxa de desemprego com a qual o ministério está trabalhando. Ele acredita que a expectativa de que o desemprego cresça ainda mais no primeiro trimestre de 1999 pode ser minorada pela extensão do seguro-desemprego por três meses, para quem está sem emprego há um ano - que entra em vigor em janeiro - e pela suspensão temporária do contrato de trabalho.
‘‘Em São Paulo, duas empresas fizeram o acordo de suspensão e, assim, evitaram demissões e garantiram a renda dos trabalhadores, que são o objetivo dessa medida’’, disse. A assinatura, quarta-feira, da declaração sóciolaboral elaborada pelo Grupo do Mercado Comum (GMC), embora saudada pelo ministro como a primeira iniciativa do gênero que conta com o apoio de governos, empregados e empresários, não deverá trazer benefícios a curto prazo para os trabalhadores do Mercosul. O documento prevê um mercado de trabalho comum, mas Amadeo alertou que, para isso, será preciso unificar as legislações trabalhistas dos países do Mercosul.

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