Governo cria 4.500 vagas para Polícia Federal
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sexta-feira, 14 de março de 2003
Agência Estado 
Brasília O governo abriu ontem 4.500 novas vagas na Polícia Federal e criou o cargo de agente penitenciário federal, duas medidas emergenciais para o combate à violência, segundo anunciou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. ''Vamos transformar a Polícia Federal no FBI'', disse o ministro, referindo-se à polícia federal norte-americana.
No caso dos agentes penitenciários, haverá 700 contratações. De imediato, serão nomeadas 200 pessoas para atuar nas futura penitenciárias de segurança máxima que o governo pretende construir. A idéia inicial é chamar militares das Forças Armadas que estão deixando o serviço ativo. ''Eles estão com preparo e só iriam receber o treinamento na Acadêmia Nacional de Polícia (ANP)'', afirmou Thomaz Bastos. As novas contratações estão previstas em duas medidas provisórias editadas ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No caso da Polícia Federal, 1.500 vagas serão para pessoal administrativo serão 1.260 para técnicos e 240 de analistas. As outras três mil vagas serão divididas entre 500 delegados, 500 peritos, 1.100 agentes, 600 escrivães e 300 papiloscopistas. Mas nem todos os cargos serão preenchidos imediatamente, já que a contratação vai depender de um cronograma da PF e o governo nem mesmo sabe quando será feito o concurso público. Atualmente, cerca de cem policiais estão sendo treinados na ANP, mas eles ainda são oriundos da administração passada.
''Com este projeto ambicioso, estamos tentando sanar o problema da violência. Com a criação dos cargos administrativos, estamos tirando policiais do serviço burocrático e colocando nas ruas'', afirmou Thomaz Bastos, antes de viajar para o Rio de Janeiro, onde iria apresentar à governadora do Estado, Rosinha Matheus(PSB), as propostas da União para a diminuição da violência no Estado. ''Não existe um tiro de canhão. Mas são medidas de atitude.'' Thomaz Bastos também anunciou a criação de uma comissão, formada pela PF e secretarias nacionais de Segurança Pública e Justiça, para auxiliar na elaboração de propostas para o Rio.
Para poder usar de imediato os novos agentes penitenciários, o governo vai contratar em caráter temporário por cerca de 12 meses 200 pessoas que sairão das Forças Armadas ou das polícias Militar e Civil.
''Temos vários cabos que estão deixando os quartéis este ano, depois de 9 anos de carreira. Podemos utilizar este pessoal, que já possui uma certa experiência'', afirmou o ministro da Justiça. Outras 500 vagas serão preenchidas posteriormente.
Com a criação das 4.500 vagas na PF, o efetivo que hoje é de 7.800 policiais e 1.800 pessoal administrativo, aumentará em torno de 70%, segundo avaliação do diretor-geral da instituição, Paulo Lacerda.
Grande parte dos novos concursos deverão ser dirigidos para a Amazônia e o Rio, onde a PF pretende montar um quadro de elite, semelhante ao Comando de Operações Táticas (COT), sediado em Brasília, que pode ser deslocado para todo o País em situações de emergência. Parte dos novos contratados deverá substituir os policiais que estão se aposentando nos dois próximos anos, o que poderia diminuir o efetivo em 30%.


