Governo Covas reúne documentos para atacar acusador de Goro Hama
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terça-feira, 08 de fevereiro de 2000
Por Fausto Macedo 
São Paulo, 08 (AE) - A tropa de choque do governo Mário Covas (PSDB) exibiu hoje o arsenal com que pretende neutralizar o impacto das denúncias de corrupção e superfaturamento em contratos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), reveladas pelo ex-vice-presidente da empresa Lázaro Piunti: um calhamaço de 21,3 quilos de documentos, cópias de 29 inquéritos e processos judiciais que apontam o próprio Piunti como réu por falsidade ideológica, desacato, lesão corporal, uso de documento falso, supressão de documento, calúnia, difamações, injúria, divulgação de fatos inverídicos para exercer influência sobre eleitorado, desobediência, falsa comunicação de crime e envolvimento com casa de prostituição.
"Esse é o perfil do traidor", anunciou o deputado Walter Feldman, líder do governo na Assembléia, brandindo a folha de antecedentes criminais de Piunti entre jornalistas e curiosos, à porta do plenário D. Pedro do Palácio Nove de Julho - onde o ex-vice-presidente da CDHU prestava depoimento à Comissão de Serviços e Obras Públicas. "O PSDB não usa os mesmos métodos que esse Joaquim Silvério dos Reis adota; é apenas um contraponto", explicou Feldman. A fala do tucano foi interrompida por um rapaz engravatado, que se apresentou como filho de Piunti: "Parabéns por sua coragem, deputado; quero ver o senhor provar tudo isso", desafiou.
Os casos policiais em que o ex-vice da CDHU aparece como suspeito são antigos e já estão todos arquivados. A maioria ocorreu na cidade de Itu - da qual Piunti já foi prefeito três vezes -, a partir de 1972. Ele foi absolvido em quase todos os processos. Há registro de uma condenação, imposta pela 10.ª Vara da Comarca de Itu, a 7 meses de detenção e multa. Beneficiado pelo sursis, ficou livre. Depois, apelou ao Tribunal de Justiça e a sentença de primeiro grau foi reformada.
O fator Piunti paralisou a Assembléia durante o dia inteiro. De manhã, o Colégio de Líderes reuniu-se para discutir a aprovação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito da CDHU, pedida pelo deputado Paulo Teixeira (PT). "O Judas queria ficar na CDHU para melhorar de situação", acusou Feldman. Oito partidos decretaram o congelamento da CPI. Apenas três se manifestaram a favor da instalação da comissão. Vencida a primeira batalha, a base aliada do governo foi em peso a plenário para tentar sufocar o depoimento de Piunti. O ex-vice acusou o ex-presidente Goro Hama de ter autorizado contratos superfaturados e de ter comandado uma operação de doação de 145 milhões de ações da Sabesp para a CDHU no valor de R$ 42 milhões. Em Brasília, Covas limitou-se a dizer: "Já falei tantas vezes sobre isso; todos os 73 contratos (que estão sob investigação) foram assinados no governo anterior."


