Governo convoca fornecedores e indústria para formar preço do gás
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 16 (AE) - Os Ministérios de Minas e Energia e o da Fazenda convocaram representantes da indústria química nacional, da secretaria de Energia do Rio de Janeiro, e da Infraestrutura da Bahia, além do ministério do Desenvolvimento, para discutir a formação do preço do gás. Segundo empresários do setor químico, no qual algumas indústrias utilizam o gás como insumo, a atitude do governo é inédita. O governo nunca convocou empresários da indústria petroquímica, por exemplo, para formar o preço da nafta, insumo básico do setor.
O convite a Bahia e ao Rio de Janeiro se justifica pela condição de únicos Estados produtores de gás no País. Segundo a Secretaria de Infraestrutura da Bahia (que trata da questão do gás no Estado), as reuniões começaram em janeiro. Os representantes do governo estadual preferem não falar no assunto porque ainda o consideram sigiloso.
O secretário de Energia, da Indústria Naval e do Petróleo do Rio, Wagner Granja Victer, afirma que as reivindicações levadas aos ministérios são para que o gás tenha preço de commodity e se considere o custo do transporte conforme a distância. Nesse caso, as indústrias instaladas no Rio, próximas da Bacia de Campos, teriam melhor preço do que as de outros Estados, por exemplo.
Outro pedido levado pelo secretário é sobre a manutenção do preço diferenciado do gás para a indústria química, que o utiliza como insumo. "Nas próximas semanas, deverá ser anunciada a nova política de preços do gás", antecipa Victer.
A Associação Brasileria das Indústrias Químicas (Abiquim) já alinhava uma proposta para levar ao governo central. Uma das reivindicações é igual a do governo do Rio, sobre o custo diferenciado do insumo para a fabricação de produtos químicos.
A questão de formação do preço do gás, no Brasil, é complexa porque parte das indústrias vai utilizar o produto vindo da Bolívia, pago em dólar, ao preço do mercado internacional e ainda tendo que arcar com transporte de longa distância. E outra usará o gás nacional prospectado com o petróleo na Bahia e no Rio de Janeiro.
A conta de chegada entre o insumo nacional e o importado faz a diferença na planilha de custos e mesmo na decisão por novos investimentos das indústrias. Exemplo é a Prosint, indústria química do Rio de Janeiro que, embora tenha planos para duplicar a produção, não o faz por causa da incerteza quanto aos preços do gás, sua matéria-prima.


