Governo convoca as Forças Armadas
Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Hen rique Cardoso avisou ontem que se os cami nhoneiros man tiverem bloqueio nas estradas e promoverem a violência, irá covocar as Forças Armadas para agir. Fernando Henrique está muito preocupado com a situação provocada pelos caminhoneiros e interrompeu várias reuniões durante todo o dia de ontem para ser informado pelo ministo-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, sobre a situação nas estradas brasileiras. A greve está sendo considerada questão de segurança para o Planalto.
O governo respeita a maninestação pacífica dos caminhoneiros, na defesa dos seus interesses, mas lamenta não ter recebido antes uma pauta concreta de reivindicações, afirmou o porta-voz do Planalto, Georges Lamazire. O porta-voz acrescentou que o presidente tomou a decisão de manter a livre circulação nas estradas, se necessário, com o uso da força militar.
Lamazire lembrou que a Polícia Federal já havia sido acionada e advertiu que se houver uso da violência e manifestação de impedimento da livre circulação pode se tornar necessário o uso das Forças Armadas. Segundo ele as negociações com os grevistas estão sendo conduzidas pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Durante todo o dia de ontem, o general Alberto Cardoso colocou seus agentes em todo o País para manter o Palácio informado. O presidente está muito preocupado com a violência que os grevistas podem gerar. Por isso, o Planalto está tratando a greve como questão de segurança.
Na área econômica, a avaliação é de que o governo não tem como interferir na negociação com os caminhoneiros porque ela ocorre com empresas privadas. Questão do frete é privada, quem determina os preços a serem pagos aos caminhoneiros, são as empresas. Portanto, trata-se de uma relação entre quem contrata e contratados e o governo não vê a menor possibilidade de interferir nesse assunto.
O governo também não vê alternativas para a liberação da pontuação nas carteiras dos motoristas uma vez que eles são os que mais provocam problemas nas estradas. Além do mais, isso depende de votação no Congresso.
À tarde, o superintendente da Polícia Rodoviária Federal de São Paulo, Armando Infante Jr., disse, em entrevista à Rádio CBN, que a situação nas rodovias em todo o País, devido aos protestos dos caminhoneiros, estava fora de controle. De acordo com o superintendente, na Rodovia Presidente Dutra, onde os caminhoneiros bloqueiam a pista em vários pontos, o policiamento foi reforçado. A Polícia procurou dar vazão a veículos menores e ônibus. Apesar disso, ele explicou que a situação se tornava praticamente incontrolável devido ao grande volume de veículos parados.
Até as 20 horas de ontem, as forças de segurança do Paraná não tinham recebido nenhum comunicado para entrar em ação contra os caminhoneiros. O sargento Mozart, da Sala de Imprensa da PM, e a tenente Adriana, do quartel-general da 5ª Região Militar do Exército, em Curitiba, asseguraram que as duas corporações não haviam recebido qualquer ordem superior para que tropas fossem mobilizadas em direção aos pontos de bloqueio nas rodovias do Paraná. (Colaborou Dimitri do Valle).





