Rio, 19 (AE) - O governo concluiu hoje, com sucesso, a segunda captação de recursos externos do ano. Por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram emitidos 200 milhões de euros em títulos de três anos, no valor de US$ 210 milhões. A operação foi feita um mês depois da emissão, pelo Tesouro, de 800 milhões de euros, também de longo prazo e com a mesma taxa de juros: 9,5% ao ano, considerada satisfatória para o momento ainda de incerteza internacional.
"É um indicativo forte de retorno de credibilidade, especialmente nesta época do ano, em que o mercado da Europa fica tradicionalmente fechado devido às férias de verão no Hemisfério Norte", comentou a superintendente da BNDESPar, empresa de participações do BNDES, Maria Isabel Aboim. Ela acredita que duas emissões consecutivas bem-sucedidas devam facilitar captações de empresas privadas, mas prefere não arriscar prognósticos. "O mercado está tão difícil, oscilando tanto, que não há como fazer nenhuma previsão", disse.
No ano passado, até junho, o BNDES já havia captado US$ 1,5 bilhão no exterior. Este ano, é provável que chegue ao fim do ano sem uma cifra sequer próxima a esta. A diferença, porém, é que não há títulos vencendo este ano no banco, apenas amortizações e juros. O dinheiro obtido com a colocação de papéis no exterior será integralmente aplicado em investimentos. A operação de hoje, por exemplo, será utilizada em empréstimos a projetos industriais, de infra-estrutura e em financiamentos ao comércio exterior.
A emissão foi feita em tempo recorde e serviu como teste de um novo modelo entre o BNDES, o Banco Central e o Tesouro, que dispensa formalidades no ritual de autorização para captação. Com isso, a operação foi iniciada na terça-feira e a oferta foi feita na noite de quarta, mesmo com a concorrência para a escolha do banco que lideraria o processo, vencida pelo holandês ABN-Amro. Hoje a captação foi concluída.
Apesar do ambiente de poucos negócios, os técnicos do BNDES identificaram uma significativa demanda, no mercado externo, por títulos emissores de primeira linha com as mesmas características do BNDES, que tem perfil de "risco soberano". "Fizemos tudo com rapidez para retornar com êxito ao mercado internacional", disse Maria Isabel. A última operação do tipo no banco foi em junho do ano passado.
"Fomos muito no lastro do sucesso do Tesouro, que abriu caminho no mês passado para novas emissões", comemorou a superintendente do BNDESPar. Segundo ela, novas captações só serão feitas se as condições também forem favoráveis. A Argentina, outro importante balizador da credibilidade do mercado internacional nas economias emergentes da América Latina
fez este ano três lançamentos de títulos no mercado europeu, no valor de 650 milhões de euros, com prazos variando entre dois e cinco anos.
Além do ABN-Amro, participaram da captação feita pelo BNDES o Morgan Stanley, Goldman Sachs, Salomon Smith Barney, Dresdner Bank, Deustche Bank, DG Bank, Banco do Espírito Santo, CBI e Paribas. As colocações foram feitas nos mercados da Itália (30%), Alemanha, Suíça, Grã-Bretanha e Benelus (10% cada), Portugal e Espanha (15%), França e ásia (5% cada) e participações menores em outros mercados.

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