Governo comemora com festa um ano de privatização da Telebrás
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Gustavo Paul (enviado especial) 
Palmas, 30 (AE) - O governo federal promoveu hoje um grande evento via satélite para responder aos partidos de oposição que querem instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a privatização do setor de telecomunicações. Para comemorar o primeiro ano da venda do Sistema Telebrás, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, fez uma ligação interurbana da capital do Tocantins para Brasília e anunciou formalmente ao presidente Fernando Henrique a antecipação em quatro meses das metas de instalação de aparelhos telefônicos.
Os contratos de concessão assinados pelas empresas estabelece que o País deveria ter 25,5 milhões de telefones em funcionamento em dezembro. A meta foi alcançada em agosto. "Isso não seria possível se não tivéssemos feito a privatização", festejou por telefone o presidente . Quando ocorreu a privatização existiam 20,2 milhões de aparelhos no País. "Com o Plano Plurianual, as metas definidas vão aumentar muito mais ainda nos próximos quatro anos", disse o presidente.
"Enquanto as oposições dizem mentiras sobre a privatização e contestam a verdadeira revolução que está ocorrendo no Brasil, nós respondemos deste modo", disse Pimenta da Veiga. O ministro acompanhou a realização de um eletrocardiograma feito via Internet por médicos em Araguaína, distantes cerca de 400 quilômetros de um cliente em Palmas.
Pimenta da Veiga ironizou a cerimônia na qual os líderes dos partidos de oposição pediram a instalação da CPI ao presidente da Câmara, Michel Temer, na semana passada. "Todos reclamaram contra a privatização usando um telefone celular pendurado na cintura", provocou o ministro. "E usavam celulares que estão funcionando, e muito bem, a custos mais baixos."
"As empresas privadas conseguiram instalar em um ano um quarto de todas as linhas telefônicas que o sistema estatal instalou em 30 anos", afirmou o presidente da Telemar, que opera em 16 Estados, Manoel Horácio. Segundo ele, um dos principais argumentos contra a CPI da Telebrás é a habilidade que o governo teve ao vender as ações da empresa por um preço muito acima do seu valor patrimonial, no leilão de 1998.
"O governo vendeu um patrimônio de US$ 20 bilhões pelo equivalente a US$ 115 bilhões", afirmou Horácio, referindo-se ao preço por ação alcançado na venda dos 20% do capital que União tinha do Sistema Telebrás. "Com o ágio de 1% da venda da Tele Norte Leste, o grupo controlador pagou 2,3 vezes a mais que o valor patrimonial da empresa", comparou. A Tele Norte Leste foi o pivô do escândalo das gravações que levou à demissão do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, em 1998.


