Brasília, 01 (AE) - O governo inicia esta semana uma grande operação de combate ao desmantamento ilegal, numa área de mais de 3 milhões de quilômetros quadrados da região amazônica. A um custo de R$ 10 milhões, o trabalho envolverá 263 funcionários do Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), dois navios da Marinha, helicópteros e pessoal do Exército e da Aeronáutica, além de agentes da Polícia Federal (PF). As irregularidades serão punidas com multas, mas empresas e agricultores terão a oportunidade de legalizar a atividade madeireira.
O governo estima que 80% da extração de madeira na região são ilegais. "Estaremos iniciando uma campanha jamais feita pera legalizar as atividades", explicou hoje o ministro José Sarney Filho, ao receber, pela manhã, o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Thilo Bode. A operação é emergencial, mas a idéia é a tornar rotineira para marcar a presença do governo federal na área, inibindo, assim, a ação de madereiras que atuam com a extração ilegal de madeira.
O ministro também está propondo na regulamentação da Lei do Meio Ambiente o aumento das multas para crimes ambientais, hoje, segundo ele, "irrelevantes". Sarney Filho ainda não tem prazo para a regulamentação e admitiu a existência de lobbies interessados no texto.
"A regulamentação depende de uma série de fatores porque é uma lei complexa", afirmou, lembrando que o Congresso tem representantes de todos os setores envolvidos.
A operação na Amazônia envolverá 186 unidades fixas e oito móveis para que o sistema de regularização da atividade extrativista alcance as populações mais carentes e afastadas, cujo acesso é precário atualmente. Cada escritório móvel contará com um engenheiro florestal, um agrônomo e um fiscal do Ibama. Seis helicópteres serão usados para a fiscalização de desmatamentos e de rios usados para o escoamento da madeira retirada de forma ilegal.
Lanchas rápidas da Marinha atuarão nos igarapés. Sarney Filho admite que a operação não é suficiente. "Mesmo que tivéssemos mais dinheiro e pessoal qualificado, o ritmo de desmatamento só vai cair mesmo quando houver alternativas econômicas na região", afirmou o ministro, citando como exemplos de atividades o ecoturismo e o extrativismo. O ministro admitiu também que "faltava empenho" para o uso de recursos do PPG-7 (os países mais ricos do mundo), mas defendeu maior capacidade de o Brasil interferir nas decisões sobre o destino uso do dinheiro.
Para o Greenpeace, a operação é boa, mas insuficiente. "São necessárias outras medidas, como a identificação de empresas de grande porte que adquirem madeira de pequenos agricultores, para evitar essa capilaridade", acredita o diretor-executivo da entidade no Brasil, Roberto Kishinami. O Greenpeace faz uma campanha junto ao mercado e aos consumidores para que rejeitem madeira sem certificação florestal, concedida pela certificadora internacional FSC - Conselho de Manejo Florestal. A organização não-governamental (ONG) também quer a moratória de extração em áreas extensas até a realização de um levantamento O Greenpeace entregou ao ministério o relatório - divulgado no dia anterior no Rio - mapeando a atividade de 17 companhias multinacionais madereireiras na Amazônia. Segundo o documento, dez empresas européias, americanas e asiáticas respondem por 12% da capacidade de processamento da região. "Com a redução dos estoques madeireiros das florestas do Sudeste Asiático e da áfrica Central, a Amazônia tornou-se o principal alvo das madereiras internacionais", diz o documento.

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