Brasília, 14 (AE) - Para recuperar a popularidade, o governo vai começar a executar o programa de ação idealizado para o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, que prioriza a área social. "As medidas econômicas, sem prejuízo da estabilidade, vão atender a critérios sociais", afirmou o secretário de Estado dos Direitos Humanos, José Gregori.
Gregori revela que a equipe econômica está estudando um conjunto de medidas compensatórias que possam evitar aumentos de preços dos combustíveis por um ano, independentemente de novas altas do produto no mercado internacional. Ele não soube informar quais seriam essas medidas, mas garante que não haverá tabelamentos.
O governo está preocupado porque os combustíveis alimentam a inflação. "É desejo do governo que esse sopro inflacionário não devolva a peste bubônica da inflação", diz o secretário, lembrando que a gasolina ficou 20 meses sem aumento no País.
Gregori está convencido de que o governo, gradativamente
recuperará a popularidade arranhada por causa da mudança no câmbio. "De repente, o governo mexeu no que era supostamente o alcierce da estabilidade, todos ficaram contra", explicou, ressaltando que essa estratégia não trouxe os "inconvenientes" esperados. Ele diz que popularidade não é condição necessária para se governar, mas é "uma parte agradável".
Por isso, para melhorar a imagem, a partir desse segundo semestre, serão adotadas medidas como o cumprimento das metas da reforma agrária, atingir R$ 100 bilhões nas exportações e ampliar a produção de grãos dos atuais 83 milhões de toneladas para 100 milhões de toneladas.
Nenhuma criança fora da escola, redução da mortalidade infantil e criação do delito federal contra direitos humanos (Polícia e Justiça federal assumiriam o comando de investigações desse crimes, no lugar dos Estados) são outras ações.
O secretário esclareceu que essas medidas tiveram de ser esquecidas temporariamente, no primeiro semestre, por causa da crise econômica que atingiu o Brasil. "A crise absorveu 80% de nossas energias", comentou hoje Gregori. Recuperada a economia e realizada uma reforma no ministério para "dar mais agilidade e musculatura ao governo", observa o secretário, chegou a hora de trabalhar a área social.

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