Governo colombiano não crê em versão das Farc para assasinatos
Bogotá, 11 (AE-REUTERS) - A confissão das Forças Armas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de que um de seus comandantes havia raptado e matado três americanos incendiou mais ainda o caso dos assassinato ao mesmo tempo em que governo acusa o alto comando rebelde de estar encobrindo os responáveis.
O ministro colombiano da Defesa, Rodrigo Lloreda, afirmou hoje (11) que as Farc estão usando um desconhecido guerrilheiro como "bode expiatório" para proteger o homem que verdadeiramente ordenou os assassinatos: German Briceno, irmão do número 2 das Farc Jorge Briceno, conhecido como "Mono Jojoy".
German Briceno, cujo nome de guerra é "Grannobles", é um dos principais comandantes regionais das Farc no nordeste da Colômbia, onde os cidadãos americanos foram sequestrados em 25 de fevereiro. Seu irmão Jorge é também um dos principais estrategistas do grupo.
No dia seguinte ao sequestro de Terence Freitas, de 24 anos, Ingrid Washinawatok, 41, e Laheenae Gay, 39, o Exército interceptou uma série de conversações por rádio nas quais uma voz, identificada pelas autoridades como sendo de Grannobles, ordenou a morte dos três a outros guerrilheiros.
Os corpos cravejados com balas do trio americano - que estava ajudando indígenas a defender suas terras ancestrais dos planos de uma multinacional americana de explorar petróleo - foram encontrados dentro do território venezuelano na última quinta-feira.
"Devemos intensificar a procura por aqueles que são realmente culpados pelo crime, não apenas bodes expiatórios... Todas as informações sugerem que ele (German Briceno) fora consultado sobre a decisão", disse Lloreda.
Em um comunicado emitido ontem à noite, as Farc afirmam que um guerrilheiro identificado apenas como comandante Gildardo, do 10º fronte, que estava em uma missão de reconhecimento com três outros rebeldes, capturou e matou os americanos sem consultar seus superiores.
A inteligência militar colombiana alega, entretanto, que não tem em seus arquivos nenhum alto comandante com esse nome, aumentando a desconfiança de que Gildardo não passa de um simples chefe de unidade.
Dada a restrita hierarquia no comando das Farc, é praticamente impossível que um comandante intermediário tivesse sequestrado e assassinado os americanos sozinho sem ordens de cima.
Hoje, o chefe das Forças Armadas, general Fernando Tapias, pediu para que as Farc parem de "esconder aqueles realmente responsáveis" e entreguem os assassinos às autoridades.
As Farc, no entanto, já haviam negado um pedido feito anteriormente pelos EUA para que os responsáveis fossem entregues a oficiais colombianos para que pudessem ser extraditados.
Por outro lado, os rebeldes garantem que julgarão os assassinos em um conselho rebelde de guerra cujo resultado poderá levá-los diante de um esquadrão de fuzilamento.





