Brasília, 10 (AE) - O governo federal começa a colocar em prática, a partir de setembro, a primeira parte do seu Projeto de Juventude, que tem como um dos principais objetivos reduzir os índices de gravidez na adolescência. Nessa primeira fase, serão inaugurados 60 centros de juventude nas principais capitais do País: São Paulo e Rio (com 10 unidades em cada cidade), Salvador, Recife, Curitiba, Rio Branco, Belém, Palmas, Brasília e Fortaleza.
Esses centros - vinculados às Secretarias Estaduais de Assistência Social ou às de Cultura - serão equipadas com um banco de dados contendo informações sobre os serviços disponíveis para adolescentes nas áreas de educação, saúde, esporte e cultura. A multiplicidade no atendimento (que não é restrito à saúde) faz parte da nova estratégia do governo.
"A gravidez precoce é um problema que precisa estar na pauta de toda a sociedade", disse hoje o ministro da Saúde, José Serra, na abertura do seminário internacional que discute o tema, em Brasília. "Precisamos mobilizar os sistemas de saúde e de educação", completou. A criação de uma política de juventude capaz de evitar gravidez precoce, lembra Serra, é menos dispendiosa do que prestar atendimento médico a meninas grávidas. SUS - Ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 153 milhões, o equivalente a 27% de todos os partos do sistema, com gestação de adolescentes. Além disso, os recém nascidos filhos de meninas até 14 anos costumam ser prematuros. Só para assistí-los o governo gasta R$ 1,4 mil por dia. Além disso, famílias chefiadas por adolescentes acabam alimentando um ciclo de pobreza: apenas 11% das adolescentes grávidas, de até 19 anos
permanecem na escola. Esse porcentual é de 75% entre garotas que não engravidaram.
Além da criação dos centros, a Secretaria Nacional de Assistência Social e a Casa Civil estão fazendo um levantamento interministerial para mapear todos os programas mantidos para adolescente em nível federal. Esse raio-X, como explica Wanda Engel, da Secretaria Nacional, possibilitará ao governo planejar a oferta de serviços e tentar reduzir a distância entre o que o governo tem para oferecer e a demanda dos adolescentes. Wanda adiantou que o foco dessa política de juventude serão adolescentes de baixa renda.
"Depois que esse cardápio estiver pronto vai ser mais fácil direcionar os programas", diz Wanda. O governo vai financiar o equipamento dos centros (cada um receberá R$ 20 mil, num total de R$ 1,2 milhão), que funcionarão em prédios cedidos pelos Estados ou pelos municípios. "Vamos ter possibilidade de dar informação e de encaminhar os adolescentes para todos os tipos de serviço", diz ela.

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