Pequim, 04 (AE-REUTERS) - O governo chinês aumentou o cerco à Província de Xinjiang, no noroeste do país, enviando uma força de mil soldados à cidade de Yining - cenário de violentos choques interétnicos em 1997 -, no âmbito de um programa de luta "contra o separatismo, o terrorismo e as atividades religiosas ilegais".
Segundo a edição de hoje do Diário da Justiça de Xinjiang, "o Comitê Central do Partido Comunista e o governo concordaram em conceder uma atenção especial à estabilidade social em Xinjiang, em particular à região de Yili, no extremo oeste da China, e decidiram agrupar o contingente na capital, Yining".
Outras tropas haviam sido mobilizadas temporariamente à região em 1997 para conter uma série de confrontos em Yili, que deixou dez mortos e mais de 200 feridos, segundo versões oficiais, e mais de 100 mortos, de acordo com uma organização uigur no estrangeiro.
Os violentos distúrbios começaram durante uma manifestação de uigures para protestar contra detenções de companheiros e pedir a criação de um Estado islâmico independente. Três semanas após os choques, outras nove pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas numa onda de ataques com coquetéis molotov na capital da Província de Xinjiang, Urumqi.
Xinjiang - lar da minoria étnica uigur, cuja língua é a turca e a religião a muçulmana - tem sido abalada por confrontos, atentados à bomba e assassinatos desde a metade dos anos 90. Os militantes uigures querem transformar a província autônoma, que faz fronteira com Afeganistão, Paquistão e três ex-repúblicas soviéticas, num independente Turquestão Oriental.
Na terça-feira, a organização Anistia Internacional acusou Pequim de torturar, deter e perseguir os uigures arbitrariamente desde os confrontos de 1997. "Vários uigures foram detidos por serem familiares ou amigos de prisioneiros políticos ou fugitivos, ou simplesmente por serem uigures", denunciou a organização com sede em Londres. "Alguns ficaram presos sem nenhuma acusação por vários meses, violando as leis chinesas. E seus familiares não receberam notícias deles."
O porta-voz da chancelaria chinesa, Zhang Qiyue, apressou- se em desmentir as acusações: "As alegações são sem fundamento e irresponsáveis." Segundo Zhang Yanyong, comandante de polícia, "a luta contra o separatismo, o terrorismo e as atividades religiosas ilegais é prioritária este ano para Pequim, que tem intenção de eliminar planos de atentados dos inimigos".
Um funcionário do Departamento de Justiça de Xinjiang defendeu as ações de Pequim: "Vários uigures foram presos porque violaram as leis criminais do Estado."
Em 1998, a polícia deteve 132 "separatistas, terroristas e fanáticos religiosos" nas proximidades de Urumqi e recentemente realizou "centenas de prisões" em Yining, na mesma região, informou o Diário da Justiça de Xinjiang. Ainda segundo o jornal, 905 pessoas foram detidas por imigração ou emigração ilegais em Urumqi no ano passado.

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