'Governo chegou ao limite na negociação'
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Marcela Rocha Mendes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Em visita ao Paraná para compromissos de campanha eleitoral, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que o governo federal já chegou ao seu limite com a proposta de reajuste em 20% no valor da bolsa-auxílio para os médicos-residentes que decidiram entrar em greve a partir de hoje. Eles pedem um reajuste de 38,7%, o que elevaria o valor da bolsa-auxílio de R$ 1.916 para R$ 2.657.
''Acabei de conversar com o ministro da Educação, (Fernando) Haddad, e ele concordou em criar um grupo para que o governo e os médicos-residentes possam discutir as condições de trabalho da categoria. Mas já chegamos ao limite com a proposta de 20%''. A categoria é vinculada aos ministérios da Saúde e da Educação, este responsável pelos repasses para o pagamento das bolsas. O reajuste proposto corresponde à inflação acumulada desde novembro de 2006, data do último reajuste.
Temporão criticou a decisão pela greve, que estaria prejudicando a própria formação dos médicos-residentes, além do atendimento à população. Mas o ministro admitiu que a reivindicação por melhores condições de trabalho e carga horária é justa. Ele admitiu que o problema é generalizado. ''Em todas as áreas da Saúde há defasagem salarial. Desde médicos até enfermeiros, farmacêuticos etc''.
O ministro comentou, ainda, a notícia veiculada pela imprensa de que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular lançaria uma campanha orientando seus 1,2 mil associados para que deixassem de operar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). ''Não recebemos nada oficial e não acho que essa seria uma medida razoável'', conclui.
A categoria soma 22 mil médicos-residentes no Brasil, sendo cerca de 1,5 mil no Paraná e 795 na Capital. Os residentes são profissionais formados em Medicina, que cumprem uma forma de pós-graduação caracterizada pelo treinamento em serviço, sob a orientação de médicos. A residência pode durar de dois a cinco anos.


