Governo chama montadoras para rediscutir acordo
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 6 (AE) - O governo federal já fez o primeiro contato com as montadoras para iniciar negociações sobre a possível renovação do acordo emergencial de redução dos custos na produção de carros. O secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, telefonou para o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, durante a entrevista coletiva em que o próprio Pinheiro Neto anunciava que as montadoras não vão suspender os aumentos de preços.
Não foi marcado ainda nenhum encontro, mas o presidente da Anfavea estará com o presidente Fernando Henrique Cardoso esta noite durante jantar em homenagem ao presidente da Venezuela, em Brasília. Pinheiro Neto disse que está disposto a conversar com Mattar, mas insistiu que a indústria não vai rever os reajustes.
"Precisamos de um negócio chamado dinheiro. Senão, vamos ter que ir ao banco, que cobra uma enormidade de juro. Eu não tenho outra forma de ter dinheiro a não ser aumentando os preços em 10%, ou não vou ter como pagar os salários do senhor Marinho e do senhor Paulinho (Luiz Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical)."
Na próxima fase de negociações as montadoras vão certamemnte jogar com a questão do emprego. Pinheiro Neto já disse na entrevista de hoje que haverá "um monte" de trabalhadores excedentes se o mercado encolher. A indústria prevê produzir este ano 1 milhão de unidades se não houver nenovação do acordo automotivo. Este total ficaria 36,4% menor do que a produção do ano passado.
Manifestações - O presidente da Anfavea também utilizou a questão do emprego para criticar as manifestações que os metalúrgicos realizaram hoje, com passeatas e paralisação das fábricas em São Bernardo do Campo (SP). "Isso ocasiona aquilo que a gente não quer que aconteça, que é o aumento do desemprego", disse Pinheiro Neto.
O executivo passou grande parte da entrevista - que durou quase duas horas - dizendo que a indústria automobilistica está sem caixa e amargou prejuízos no primeiro trimestre. Segundo ele, as quatro montadoras veteranas - Volkswagen, Gerenal Motors, Ford e Fiat - tiveram prejuízo de R$ 1,3 bilhão no período, segundo levantamento de uma consultoria.
"Eu não tenho a Casa da Moeda e nem o Banco Central e não existe nenhum samaritano que nos dê dinheiro de graça", destacou.
A direção da Anfavea não detalha por que as montadoras aplicaram índices de reajustes praticamente iguais. "Porque vivemos no mesmo País", limitou-se dizer Pinheiro Neto. Também não explicou o aumento de mais de 9% no carro popular, justamente um modelo que não carrega quase nenhum componente importado.
A indústria vinha alegando que a maior parte do aumento se deve à mudança cambial. Segundo Pinheiro Neto, também os carros que não têm muitos componentes importados utilizam peças de fornecedores que compram matérias-primas no exterior.


