Arquivo Folha‘‘Tema complexo’’O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu ontem sete governadores, dando início às rodadas de consultas que vai fazer sobre a reestruturação das políciasO governo não deverá enviar imediatamente ao Congresso propostas para reformulação das polícias civil, militar e federal, por considerar que o assunto é complexo e exige cautela. Esta decisão atende aos apelos dos partidos aliados e dos governadores. A informação foi dada ontem por um importante assessor do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O presidente Fernando Henrique recebeu ontem no Palácio da Alvorada para um jantar sete governadores, dando início às rodadas de consultas que vai fazer sobre a reestruturação das polícias. Foram convidados os governadores de São Paulo, Mário Covas (PSDB), do Rio de Janeiro, Marcello Alencar (PSDB), de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), do Rio Grande do Sul, Antonio Britto (PMDB), da Bahia, Paulo Souto (PFL), e do Maranhão, Roseana Sarney (PFL).
O governador do Ceará, Tasso Jereissati, apresentou ao presidente Fernando Henrique estudo feito pelo especialista americano Willian Bratton para reformular a polícia do Ceará. No entanto, segundo ele, nenhuma providência pode ser tomada antes que o Congresso aprove as reformas administrativa e da Previdência Social. ‘‘Não tenho uma fórmula para resolver os problemas das polícias, por isso, pedi estudo de um especialista’’, afirmou o governador.
Encomendado em maio deste ano, quando Tasso Jereissati determinou a apuração das denúncias de corrupção na polícia civil do Estado, o estudo sugere uma polícia única, reunindo as polícias civil e militar. Uma das inovações sugeridas por Willian Bratton, que reestruturou a polícia de Nova York, é a de estimular a participação da sociedade e da comunidade empresarial no financiamento desta reestruturação.
No caso do Ceará, os empresários locais poderiam custear as despesas para retreinamento dos policiais - civis e militares - que trabalhariam juntos em um único distrito. Na proposta do norte-americano, o primeiro passo é criar um distrito policial modelo, no qual os agentes treinados serviriam de monitores para multiplicar o treinamento a outros distritos.
O governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto, também ofereceu aos participantes do jantar a experiência que aplicou no seu Estado. Disse que a partir de agora nenhum soldado poderá ingressar na tropa se não tiver o segundo grau completo. E ninguém chegará ao posto de tenente se não tiver curso superior. Ele decidiu também extinguir dezenas de cargos de chefia. Assim, acredita que vai conseguir reduzir os graus hierárquicos da corporação.
O ministro da Justiça, Iris Rezende, ouviu ontem da maioria dos 26 secretários de segurança que se reuniram com ele palavras contrárias à proposta de desconstitucionalização das polícias. Os secretários argumentaram que isto poderá deixar as polícias à mercê da ação política dos governadores, que trocam de cargo a cada quatro anos.

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