Brasília, DF- Em acordo firmado durante negociações na madrugada, o governo federal acabou cedendo à pressão do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e se comprometeu com 15 itens da pauta de reivindicações. Além da liberação dos recursos contingenciados - cerca de R$ 234 milhões -, uma verba suplementar, a ser prevista em projeto de lei que será enviado ao Congresso, vai ampliar o orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário para garantir o cumprimento da meta de assentar, até 2006, 400 mil famílias - 115 mil delas este ano.
O acordo foi fechado após a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os dirigentes do MST, anteontem, no encerramento da Marcha pela Reforma Agrária, em Brasília. O governo também se comprometeu a mudar os critérios dos índices de produtividade usados para definir quais áreas podem ser desapropriadas para a reforma agrária.
A mudança de um padrão instituído em 1975, que estimularia as invasões de terra, depende ainda de um acordo com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Essa proposta é polêmica e provocou irritação entre produtores rurais. O ministro Roberto Rodrigues discorda da proposta e antes do anúncio do acordo com o MST apostava numa discussão mais longa sobre o assunto.
Para dirigentes do MST, o acordo foi favorável aos sem-terra. ''O resultado foi positivo. Fizemos a nossa parte, que é organizar a sociedade e pressionar o governo'', disse um dos principais dirigentes do movimento, Jaime Amorim, depois da reunião com o ministro Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, onde o acordo, costurado no Palácio do Planalto depois da marcha, foi sacramentado hoje pela manhã. Amorim afirmou que o acordo é resultado da marcha, elogiou o governo, mas garantiu que o MST continuará invadindo terras para acelerar a reforma agrária.

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