Londres, 02 (AE-ANSA) - O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, deu prazo até amanhã (03) para que o grupo católico Exército Republicano Irlandês (IRA) inicie seu desarmamento, caso contrário Londres suspenderá temporariamente o governo conjunto da Irlanda do Norte. O ultimato não foi dado explicitamente, mas surgiu dos fervilhantes contatos diplomáticos realizados ao longo do dia de hoje em Belfast, Dublin, Londres e Washington para tentar pôr fim à crise que ameaça o autogoverno norte-irlandês - uma coalizão de quatro partidos formada há nove semanas como parte do acordo de paz da Sexta-Feira Santa, firmado em 1998.
"Há um sério problema e, a não ser que haja progresso substancial, teremos uma séria crise nas nossas mãos", afirmou Blair ao Parlamento britânico. "Espero que possamos superar esta dificuldade."
O governo trabalhista indicou que anunciará amanhã na Câmara dos Comuns se os poderes do autogoverno norte-irlandês serão transferidos provisoriamente de volta para Londres. Essa seria uma forma de permitir novas negociações e evitar o colapso total dessa administração conjunta, que inclui o Sinn Fein (braço político do IRA) e o principal partido protestante da Irlanda do Norte, os Unionistas do Ulster, do primeiro-ministro David Trimble. Se não houver a suspensão, Trimble e altos membros de seu partido prometem renunciar, o que desmantelaria as recém-estabelecidas instituições de governo do Ulster.
Num acordo acertado em novembro, os unionistas retiraram sua exigência de que o IRA entregasse as armas antes da formação do autogoverno - mas sob a condição de que os extremistas católicos iniciassem logo o desarmamento. O prazo para a conclusão da deposição das armas vence em 20 de maio.
O pacto especificou que o general canadense John de Chastelain, chefe da comissão independente de desarmamento do Ulster, relatasse em janeiro se suas negociações secretas com o IRA deram resultado. Embora a Grã-Bretanha e a República da Irlanda se tenham negado a divulgar totalmente o relatório entregue segunda-feira por Chastelain, Blair enfatizou hoje: "Até agora, há insuficiente progresso (no desarmamento) para que o general Chastelain faça o relatório que ele tem de fazer. Essa é a verdade".