Governo brasileiro participa de reunião com negacionistas do clima
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quinta-feira, 01 de agosto de 2019
Patrícia Campos Mello – Folhapress 
São Paulo - Pela primeira vez, o governo brasileiro enviou representantes diplomáticos a uma reunião de negacionistas do clima nos Estados Unidos. Em um telegrama ostensivo, assinado pelo encarregado de negócios da embaixada do Brasil em Washington, Nestor Forster, um diplomata relata a participação em reunião na 13ª Conferência Internacional sobre Mudança do Clima, promovida pelo The Heartland Institute em 25 de julho. O instituto defende políticas libertárias e reúne os maiores defensores da tese de que o Estado não deve agir para mitigar os efeitos do aquecimento global.
Segundo o telegrama, obtido pela “Folha de S.Paulo”, participaram da Conferência alguns dos maiores negacionistas do clima: "o cientista e ex-assessor da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, Lord Cristopher Monckton; o cientista hidrólogo Jay Lehr; e o cientista e ex-assessor para Assuntos Climáticos da Casa Branca, Myron Ebell".
Procurado, o Itamaraty disse que "é da natureza do trabalho diplomático informar, representar e negociar. Para dar cumprimento ao seu dever de informar, diplomatas acompanham constantemente, em seus postos no exterior, discussões mantidas na academia, em think tanks, órgãos de imprensa e com formadores de opinião".
O evento teve um depoimento em vídeo do cientista climatologista Timothy Ball, autor do livro "Human Caused Global Warming - The Biggest Deception in History (Aquecimento global causado pelo homem - a maior fraude da história), "muito influente sobre o governo norte-americano em matéria de clima".
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já demonstrou ceticismo em relação ao aquecimento global. Segundo ele, há equívocos na medição de temperaturas e é "necessária uma discussão aberta e não ideológica desse tema". "Não há um termostato que meça a temperatura global. Existem vários termostatos locais", disse Araújo em audiência na Câmara.
"Nos Estados Unidos, foi feito um estudo sobre estações meteorológicas que diz que muitas estações que, nos anos 30 e 40, ficavam no meio do mato hoje ficam no asfalto. É óbvio que aquela estação vai registrar um aumento extraordinário da temperatura."
A França sinalizou que o sinal verde do país ao acordo União Europeia-Mercosul depende de ações concretas e resultados apresentados pelo governo brasileiro, e não apenas de compromissos verbais - sobretudo no que se refere à preservação ambiental.
Na reunião do instituto, segundo o telegrama, predominaram a crítica aos resultados dos trabalhos científicos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) da ONU (Organização das Nações Unidas), usados nas negociações do Acordo de Paris e a defesa da exploração de fontes de energia não renováveis, como combustíveis fósseis.


