Florença (Itália), 20 (AE) - Em seu discurso amanhã (21) na conferência "Progressive Governance for the 21st Century", o presidente Fernando Henrique Cardoso dirá que o seu governo já executa na prática os princípios fundamentais da Terceira Via, pois rejeita o "fundamentalismo de mercado" e o "estatismo burocrático". Dirá que, em vez de destruir o Estado, está tentando reconstruí-lo, com o objetivo básico de promover a equidade social e estimular a busca da eficiência econômica.
Fernando Henrique afirmará também que o seu governo luta pela inclusão social e pela aplicação racional, transparente e descentralizada dos recursos públicos, em parceria com setores organizados da sociedade. O presidente brasileiro vai propor ainda uma nova utopia para a esquerda: a utopia da democracia.
Ele vai dizer que a sua proposta é "radicalizar a democracia", o que considera uma utopia participativa, deliberativa, universal e atenta às diferenças.
Na avaliação de Fernando Henrique, os eleitores italianos, franceses, alemães, ingleses, norteamericanos e brasileiros optaram por líderes identificados com a equidade social e a eficiência econômica. Recusaram tanto o individualismo possessivo da Nova Direita quanto o intervencionismo estatal da velha esquerda.
A tese central do presidente é que os eleitores deste final de milênio pediram uma social-democracia renovada, a "progressive governance", que numa tradução literal seria "uma governança progressista".
Os limites para os avanços internos da "progressive governance", de acordo com o texto básico do discurso de Fernando Henrique divulgado hoje, são ditados pelas dificuldades da ordem internacional. O presidente vai sugerir a "correção das assimetrias" de ganhos e vantagens que ainda caracterizam o sistema internacional e uma globalização solidária.
E proporá o aprimoramento do sistema financeiro internacional no sentido de lhe conferir uma maior estabilidade e previsibilidade, com a capacidade de prevenir e minimizar as crise, e dar um maior acesso aos mercados de países desenvolvidos por parte dos países emergentes.
No comércio internacional, o presidente vai dizer que é preciso contrapartida para países, como o Brasil, que realizaram um esforço extraordinário de abertura de seus mercados. E, mais uma vez, ele baterá na tecla de que é preciso criar mecanismos que assegurem um mínimo de disciplina à mobilidade dos capitais e a liquidez necessária para as trocas internacionais e para os desajustes financeiros eventuais.
O presidente vai dizer aos outros seis líderes que estão em Florença que não há um modelo único que sirva a todos os países. Segundo ele cada situação nacional tem a sua história, as suas peculiaridades. E cada cultura sua identidade própria. Mas ele acredita que a "progressive governance" exige a radicalização da democracia, o reforço da participação da sociedade na gestão da coisa pública.
No caso brasileiro, Fernando Henrique informará que a sociedade tem respondido "com interesse" aos convites que seu governo tem estendido para que participe de conselhos destinados a acompanhar a execução de serviços públicos, estatais e não-estatais, sobretudo nas áreas de saúde e educação.Por Ribamar Oliveira (enviado especial) ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca corrige palavra no sexto parágrafo. Por favor, desconsidere a enviada anteriormente.

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