Governo boliviano começa a libertar presos e confinados
La Paz, 14 (AE-AP) - O governo boliviano começou a libertar hoje (14) os detidos e confinados desde sábado passado, quando impôs o estado de sítio, após um acordo no qual os camponeses se comprometeram a suspender todas as medidas de pressão.
Apesar do estado de sítio em La Paz, Cochabamba e nos povoados do altiplano, ocorreram violentos confrontos entre manifestantes e forças de segurança, com saldo de seis mortos e 50 feridos.
Ao assinar o acordo, o ministro de Governo, Walter Guiteras, comprometeu-se a libertar hoje o líder rural Felipe Quispe Huanca, confinado a San Joaquín, a 850 quilômetros de La Paz e onde só é possível chegar por via aérea. Guiteras disse que o acordo com os camponeses "é um importante passo para a paz nacional".
O acordo foi mediado pela Igreja Católica, pela Procuradoria-Geral e pela Assembléia Permanente de Direitos Humanos.
No entanto, com sete dias de vigência do estado de sítio, o governo não conseguiu normalizar a situação, apesar de ter flexibilizado a medida de exceção.
Hoje, alguns líderes sindicais e cívicos confinados no último sábado a San Joaquín retornaram a seus distritos. Durante a noite, representantes do executivo e dos camponeses iniciaram uma trégua social para a libertação de todos os detidos e a suspensão de todas as medidas de pressão, principalmente os bloqueios rodoviários.
Outro dos acordos foi o obtido junto a líderes cívicos de Cochabamba, a 500 quilômetros de La Paz, onde foram iniciados os conflitos devido á elevação indiscriminada das tarifas de água. O governo rescindiu o contrato de distribuição de água com a empresa anglo-franco-hispano-boliviana Aguas del Tunari, alvo das críticas.
Apesar disso, o governo não conseguiu tranquilizar os setores universitários e de professores, que exigem a suspensão do estado de sítio e reivindicações econômicas. Os professores rurais estão em greve por tempo indeterminado, à qual aderiram seus colegas dos centros urbanos com passeatas.
Em La Paz, os universitários enfrentaram hoje, pelo quinto dia consecutivo, as forças policiais, o que bloqueou por algumas horas o trânsito pela cidade. A eles somaram-se os membros de baixa graduação das forças armadas, que constituem a maior parte do contingente militar, para reivindicar aumento salarial de 50% e tratamento equitativo em relação aos oficiais.





