São Paulo, 17 (AE) - O secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, Benito Gama, disse hoje que está concluindo negociações com a Hyundai Motors, da Coréia, para a instalação de uma fábrica de utilitários no estado. O projeto da fábrica está suspenso há mais de um ano, desde o início da crise asiática. A Hyundai, que recentemente comprou a Asia Motors (que também tinha planos de construir fábrica na Bahia) deverá optar por uma única empresa para as duas marcas.
Ambas tinham recebido em doação terrenos do governo baiano, mas a área de pouco mais de 2 milhões de metros quadrados entregue para a Asia Motors entrou como parte do terreno de 6 milhões de metros quadrados prometido para a Ford.
O secretário da Bahia disse que o governo vai compensar a Asia Motors pelos gastos com a terraplenagem da área. A montadora coreana, que ainda aguarda definições de sua matriz para confirmar ou não a fábrica no País, informou ter gasto cerca de US$ 20 milhões nas obras. "Estamos negociando com o grupo Hyundai a instalação da unidade na Bahia e, caso seja confirmada, vamos oferecer outra área nas mesmas bases", afirmou Gama.
A própria Hyundai já tem um terreno também doado pela prefeitura que deverá entrar na discussão. Ambas empresas da Coréia estavam inscritas no regime porque, na época, eram montadoras independentes.
Além das duas companhias coreanas, estavam inscritas no regime especial automobilístico do Nordeste - o qual a Ford reivindica participação - 25 montadoras, das quais seis ficariam na Bahia.
As outras empresas são a Tatra/Skoda (caminhões), PP Participações e Comércio Ltda (motos), Daelim Motors do Nordeste (motos) e Pontedeira-Piaggio (motos). Também há várias fabricantes de autopeças inscritas, entre as quais a Visteon, que pertence à Ford e anunciou intenções de construir na Bahia uma fábrica de motores. Nenhum projeto foi concretizado até o momento.
Empregos - Segundo Gama, a Ford e os mais de 30 fornecedores que vão se instalar ao redor da montadora vão empregar cerca de 5 mil trabalhadores. Só na Ford, que produzirá uma família de modelos por enquanto denominados de Projeto Amazon, deverá contratar entre 1,5 mil e 2 mil pessoas.
A produção prevista é de 250 mil veículos ao ano e o investimento será de US$ 1,3 bilhão. A maior parte virá de financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Sócio-Econômico e de títulos internacionais.
A direção da Ford em São Paulo não quis comentar ontem sobre o que fará se o governo federal não aceitar incluí-la no regime especial do Nordeste.
Se conseguir, além dos benefícios que será oferecido diretamente pelo governo baiano, a montadora teria outros incentivos como redução de 100% do Imposto de Importação sobre bens de capital, de 90% para insumos e de 50% para veículos.
Também teria direto à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para aquisição de bens de capital e redução de 45% para aquisição de insumos; isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de câmbio para pagamento de bens importados e isenção do Imposto de Renda sobre o lucro do empreendimento, além de crédito presumido de IPI, como ressarcimento de contribuições como Pis e Cofins.
Gama informou que o fato de uma empresa da Ford, a Visteon, fabricante de motores, estar inscrita no regime pode facilitar as discussões com o governo federal. Segundo ele, o protocolo de intenções para a construção da fábrica da Ford será assinado no dia 28 e, até lá, espera-se que essas questões estejam resolvidas.
Ele não quis adiantar detalhes sobre o que a Bahia está oferecendo à montadora além da isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por prazo a ser definido.

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