Governo australiano acusa comitê organizador da Olimpíada de privilegiar ricos
Sydney, 25 (AE-AP) - Uma polêmica sobre a venda de ingressos para a Olimpíada de Sydney, que será realizada no próximo ano, provocou indignação na cúpula do governo australiano. O primeiro-ministro John Howard acusou hoje o comitê organizador da Olimpíada de colocar poucos ingressos à disposição do público e reservar um número bem maior a patrocinadores, membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), convidados especiais, atletas famosos e federações esportivas. Em suma: os ricos.
"Até o momento, parece que o comitê está enganando o público australiano e tem explicações a dar", afirmou Howard. "A venda de ingressos tem de ser acessível a todos e estar à disposição dos australianos da forma mais ampla possível."
O comitê organizador defendeu-se da acusação do primeiro-ministro informando que o número de entradas vendidas para o público é muito maior que o da Olimpíada de Atlanta. Segundo dados do comitê, a primeira remessa de ingressos ultrapassou os 3 milhões. Ano que vem, serão colocadas à venda mais 1 milhão de entradas com preços menores, para facilitar o acesso de moradores de regiões mais pobres.
O responsável pela venda de ingressos no comitê, Paul Reading, afirmou que espera que centenas de milhares de entradas estejam à disposição do público nos próximos meses. Isso porque é prevista a devolução de parte da cota de ingressos enviada para os comitês olímpicos de outros países e patrocinadores. Contudo, o comitê organizador admitiu que só foram colocadas à venda para o público australiano cerca de 10% das entradas para esportes considerados populares. Para as provas de natação, por exemplo, apenas 4.570 ingressos (cerca de 35% do total), foram vendidos para o público. A procura foi tão grande que apenas uma em cada nove pessoas conseguiu pagar os 455 dólares australianos (cerca de R$ 1.200) por um ingresso para assistir à competição dos 1.500 m, livres.





