Brasília, 28 (AE) - O governo decidiu incluir, nos R$ 13 1 bilhões anunciados sexta-feira para o financiamento da safra de grãos 1999/2000, R$ 700 milhões de recursos do Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop) - anunciado há cerca de dois anos - e R$ 800 milhões do Fundo de Defesa Agropecuária (Funcafé), destinados a empréstimos de colheita, pré-comercialização e custeio de café.
Segundo o assessor do Ministério da Fazenda para a área agrícola, Gerardo Fontelles, entre as fontes de recursos para o financiamento da safra estão ainda R$ 6,2 bilhões de equalização - onde o Tesouro cobre a diferença entre os juros de mercados e o dos empréstimos agrícolas - R$ 950 milhões dos fundos constitucionais, R$ 1,4 bilhão de recursos externos captados através da chamada "63 caipira" e R$ 2,55 bilhões de exigibilidades bancárias - parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser aplicada na agricultura. Para completar a conta, restam ainda R$ 500 milhões do Finame (agência especial de financiamento industrial) - linha do BNDES para financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas. A Comissão de Controle e Gestão Fiscal (CCF) terá de aprovar mais R$ 1,750 bilhão de recursos equalizáveis para a safra - com juros favorecidos de 8 75% ao ano para médios e grandes produtores e de 5,75% para os pequenos agricultores - já que antes do anúncio do plano tinha autorizado a liberação de R$ 4,450 bilhões de recursos equalizáveis.
Gerardo Fontelles justificou a inclusão dos recursos do Recoop dizendo que é um dinheiro que será aplicado na agricultura no período de julho a junho de 2000, no chamado "ano-safra". Na safra passada, o governo passou a incluir os recursos do Funcafé e estimou em R$ 1 bilhão a liberação de recursos, mas apenas R$ 400 milhões foram efetivamente emprestados.
O reajuste dos preços mínimos autorizado no plano de safra deverá refletir diretamente nas dívidas dos produtores rurais que foram securitizadas em 1995, mas para os técnicos do governo, era preciso corrigir os valores que vinham sendo mantidos há três anos. O aumento foi de 7,2% em média. O assessor do Ministério da Fazenda para a área agrícola disse que os preços foram reajustados por causa do aumento de custos decorrente da desvalorização cambial. Gerardo Fontelles lembrou que cerca de R$ 5 bilhões das dívidas securitizadas tiveram equivalência do produto em milho, o que representa quase 60% do total dos débitos. "O débito do produtor poderá continuar sendo pago em milho", avaliou. Técnicos do Ministério da Agricultura acreditam que o reajuste dos preços mínimos poderá favorecer os pequenos agricultores no momento de liberação dos financiamentos bancários. Segundo eles, os bancos calculam o montante dos empréstimos pela área plantada e volume da produção a ser colhida, e com o reajuste do preço mínimo, o volume final do financiamento poderá aumentar.

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