Governo aumenta proteção ao mogno
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília - No Dia Mundial do Meio Ambiente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou novas regras para a exploração do mogno, a criação de duas unidades de conservação e a ampliação de uma estação ecológica. Um decreto proibiu por cinco anos o corte de mogno mesmo em áreas onde o desmatamento foi autorizado pelo órgão ambiental. As demais espécies podem ser derrubadas.
O corte de mogno só poderá ocorrer com o manejo florestal. Entretanto, todos os planos de manejo já autorizados serão revistos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O decreto diz ainda que o Ibama estabelecerá as normas que permitam o manejo sustentável. Até lá está em vigor a moratória para exploração do mogno decretada pelo governo.
O presidente Lula anunciou ainda a ampliação do patrimônio público ambiental com a criação da reserva biológica Mata Escura, em Minas Gerais, da reserva extrativista do Badoque, no Ceará, além da ampliação da estação ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul.
O presidente informou que o governo estava liberando R$ 7 milhões para a execução de ações dentro do programa Amazônia Sustentável, que passa a atuar com o Fome Zero. Segundo o presidente, essas ações incluem da construção de galpões para a armazenagem da produção extrativa de comunidades tradicionais até obras de maior porte, essenciais à economia regional.
A medida mais comemorada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi a de combate ao comércio ilegal de mogno, que gerou perdas de US$ 4 bilhões ao Brasil nos últimos 30 anos. Pelo decreto assinado ontem, conforme salientou o presidente, ''os estoques apreendidos e que há anos se deterioram em portos e armazéns, sendo alvo de roubos e desvios, serão destinados a organizações sociais e ecológicas das áreas prejudicadas''.
O primeiro termo de doação, também assinado ontem, foi referente aos 14,5 mil metros cúbicos de mogno apreendidos (quatro mil toras), no valor de US$ 2 milhões, que beneficiará os moradores da região de Altamira, no Pará. As entidades sociais da região poderão vender o produto e aplicar o dinheiro em projetos sociais e ambientais, tudo fiscalizado e aprovado pelo Ministério Público. Há mais 40 mil metros cúbicos de mogno para serem doados a outras áreas, aguardando liberação judicial. ''De agora em diante será assim, podem ter certeza disso'', disse Lula.
A ministra Marina Silva informou que haverá cotas para corte anual de mogno, incentivo à certificação florestal e que o transporte, da floresta ao porto, será rastreado via satélite. A Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente estima que, já em 2004, novos planos de manejo estarão produzindo mogno de maneira sustentável em toda a Amazônia.


