Governo atrapalha economia do Brasil, diz Nissan
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quarta-feira, 20 de outubro de 1999
Por Rita Tavares 
Tóquio, 21 (AE) - O chefe de Operacoes Mundiais da Nissan, Carlos Ghosn, aposta que, se o governo brasileiro interviesse menos na economia, o País estaria em melhor situação. "Quando os políticos mexem na economia, quaisquer que sejam eles, é uma barbaridade; acaba atrapalhando o desenvolvimento", afirmou, com a experiência de quem trabalhou no Brasil entre 1985 e 1989, quando era o responsável pela Michelin na América do Sul.
Durante a passagem pelo Brasil, Ghosn disse ter convivido com diversos planos de estabilização e moedas diferentes. Alem disso, as barreiras para importação e o controle de preços do governo eram empecilhos maiores para os negócios do que a concorrência. "Infelizmente, isso continua no Brasil", afirmou, reconhecendo, porém, que o potencial do mercado é tão grande que nenhuma montadora com aspiração global, pode ficar fora.
Apesar das críticas ao governo, Ghosn admitiu que o cenário macroecônomico não é um condicionante para a entrada efetiva da Nissan no Brasil, uma vez que, hoje, o desempenho da montadora é totalmente inexpressivo. A partir do acordo de alianca estratégica assinado com a Renault marco, quando a empresa francesa comprou 36,8% da montadora japonesa por US$ 5,4 bilhões, a Nissan elaborou um plano de reestruturação, com Ghosn no comando. Nascido em Rondônia, de família libanesa, Ghosn, 45 anos, foi educado na França e admitiu que a língua japonesa é a maior barreira para a união das empresas.
Nos próximos dois ou três anos, a Nissan vai lançar no Brasil uma série de produtos, valendo-se da rede de concessionárias Renault. Ainda está em debate se os produtos serão vendidos pela mesma concessionária numa unica loja ou em lojas diferentes. "A Nissan será mais forte no Brasil e na Argentina", afirmou. A princípio, os carros serão importados, mas poderão ser feitos na fábrica da Renault em São Jose dos Pinhais (PR) no futuro, segundo Ghosn, uma vez que a plataforma tem capacidade ociosa.
A Nissan tem produtos complementares aos da Renault, como utilitários e comerciais leves, que poderão ser comercializados no Brasil, assim como em outros mercados. A partir da parceria, as duas empresas terão apenas um produto voltado para o mesmo público alvo. Assim, a Renault tem o Clio, enquanto a Nissan oferece o Micra. No futuro, em cada mercado, será comercializado apenas um deles, dependendo da especificidade do País.
Segundo Ghosn, a Renault não está interessada em fazer novas aquisições, mas está aberta para discutir parcerias em produtos e mercados específicos. A compra de participação da Nissan, que foi oferecida antes a Ford que rejeitou o negócio, foi disputada também pela Daimler-Chrysler, que estaria interessada, mas desistiu, de acordo com o relato de Ghosn. "Se o negócio foi ruim para a Ford, não quer dizer que será para a Renault, que busca um processo de internacionalização; a Ford já é global", comentou.
Sobre o futuro da indústria automobilistica, Ghosn aposta "sem nenhuma dúvida" na continuidade do processo de fusão das montadoras. "Desacelerou um pouco porque o mercado está forte", disse, ponderando que à medida que as economias dos Estados Unidos e da Europa recuarem, o processo de fusões retornará. "Hoje, há quatro grandes grupos e outras empresas que são bem menores; será inevitável algumas combinações", disse.
A jornalista viajou a convite da Renault-Nissan


