Governo argentino procura país não-limítrofe para mandar Oviedo
Buenos Aires, 5 (AE-AP) - O governo argentino, apesar de manter o asilo político do controvertido ex-general paraguaio Lino César Oviedo, busca um país não-limítrofe com o Paraguai para enviar o general, informou hoje o ministro do Interior Carlos Corach. Segundo ele, em nenhum momento foi anunciado que Oviedo seria expulso.
Circularam versões de que a Argentina havia sondado a Venezuela e o Panamá para dar asilo ao ex-general. Mas porta-vozes de ambos os países negaram a informação e ontem(4) um funcionário panamenho afirmou que se o pedido se concretizasse, seria negado.
O presidente Carlos Menem disse hoje que as recentes declarações políticas de Oviedo não justificam sua expulsão. Ainda assim, voltou a pedir que o governo paraguaio peça "desculpas" pelos duros ataques feitos contra ele por funcionários e deputados paraguaios. Os ataques começaram quando o presidente negou o pedido de extradição de Oviedo. O presidente argentino afirmou que "são uns difamadores"os deputados paraguaios que o acusaram de ter relações comerciais e negócios com Oviedo .
A chancelaria argentina expressou ontem seu "desagrado" com as críticas paraguaias às ações constitucionais da República Argentina.
O governo, depois das declarações políticas sobre a situação do país,feitas por Oviedo ao jornal La Nación, decidiu mandá-lo para a província austral de Terra do Fogo, para onde foi levado na semana passada. Ali Oviedo voltou a fazer considerações políticas para jornalistas locais e difundiu por uma rádio local uma mensagem em guarani, na qual prometia voltar ao Paraguai para colocar-se à frente dos camponeses e pôr fim à injustiça que sofrem.
O fato gerou versões de que poderia ser expulso. O La Nación disse hoje que o governo resolveu não fazê-lo, mas que houve desavenças dentro do gabinete de Menem.
Corach negou hoje as desavenças. "Todos os ministros concordaram que as últimas declarações de Oviedo não eram suficientes para expulsá-lo", disse.
Um jornalista lembrou a Corach que Oviedo foi acusado em seu país de ter mandado assassinar o ex-vice-presidente paraguaio Luis María Argaña, seu rival no partido governante Colorado.
O ministro alegou que "essa é a mesma acusação que fizeram contra Perón (ex-presidente argentino Juan Domingo, já morto), a quem acusaram de estupro, assassinato, de ter queimado a bandeira, de perseguir a Igreja. E no entanto ele era um asilado político. Não queremos comparar Oviedo com Perón, de maneira alguma, mas nenhum país em que Perón esteve asilado o impediu de fazer reuniões políticas. Seria contrário à dignidade da República se entregássemos o general neste momento ao Paraguai. Mas se as circunstâncias determinarem o contrário, a Argentina revogará o asilo político", afirmou o ministro.





