Governo argentino investiga corrupção no serviço penitenciário
Buenos Aires, 17 (AE-AP) - O diretor do Serviço Penitenciário Nacional (SPN) argentino, inspetor-geral Alfredo Ayala, apresentou hoje (17) sua renúncia, arrastando consigo a alta cúpula do departamento em meio a rumores de que ele seria afastado pelo governo do presidente Fernando de la Rúa devido a sérias irregularidades cometidas pelos carcereiros do país.
Segundo denúncias feitas ao Ministério da Justiça, muitos deles permitiam a saída de criminosos presos para que cometessem roubos cujo butim era depois dividido entre os prisioneiros e os policiais.
As denúncias sacudiram a opinião pública do país. Ontem, o ministro da Justiça Ricardo Gil Lavedra já havia anunciado o afastamento do pessoal do SPN depois que o juiz Jorge Baños denunciou ter sofrido uma tentativa de assassinato, a mando de carcereiros e reclusos, após iniciar investigações sobre as denúncias de irregularidades.
Tudo começou em julho de 1998, quando o juiz Baños descobriu que um dos autores de um assalto a um restaurante em Buenos Aires, durante o qual morreu um policial, deveria estar na prisão de Caseros, na capital. Baños decidiu então visitar Alejandro Nuñez, o preso em questão, em sua cela, onde o encontrou tranquilo. As autoridades penitenciárias lhe garantiram que Nuñez não havia se ausentado dali.
Nuñez, no entanto, acabou confessando por escrito que seus carcereiros o haviam "autorizado" a sair para cometer o roubo, e citou como testemunha do caso um outro companheiro que, dias depois, foi baleado pela polícia devido a uma suposta tentativa de fuga. Baños se preocupou ainda mais quando outro companheiro de Nuñez, Maximiliano Noguera, apareceu morto em sua cela na mesma prisão de Caseros.
Na semana passada, o juiz denunciou que outro criminoso perigoso, Alejandro "El Polaco" Penczansky, lhe revelou que "o pessoal do SNP", preocupado com suas investigações, havia montado um complô para assassiná-lo.





