Governo argentino especula "desaceleração" do Mercosul17/Mar, 15:55 Por Ariel Palacios, especial para a AE Buenos Aires, 17 (AE) - "União aduaneira ou zona de livre comércio?" Esta dúvida percorreu nesta semana os corredores dos ministérios do governo argentino, onde se especula entre avançar com o Mercosul, ou dar marcha a ré no bloco comercial. Há poucos dias, o ministro da Economia da Argentina, José Luis Machinea, declarou que se não forem conseguidos acordos básicos com o Brasil, os argentinos vão pensar que não existe possibilidade de conseguir uma união aduaneira ou um mercado comum, e precisarão "especular na criação de uma zona de livre comércio, que permite mais liberdade a cada um dos países". Mas, nos dias posteriores Machinea minimizou suas declarações, e exibindo otimismo, afirmou que possui "certeza absoluta" que será possível chegar daqui a 90 dias a um acordo com o Brasil com o qual se poderá avançar para um mercado comum. Existem diversas categorias de integração econômica e comercial: - Zona de Livre Comércio: implica na livre circulação de mercadorias. Um exemplo disso é o NAFTA. Neste caso, eliminam-se as barreiras internas ao comércio intra-zona, e cada país é livre para colocar tarifas externas indepententes. - União Aduaneira: nela não existem tarifas aduaneiras internas, mas possui a TEC (Tarifa Externa Comum). Um exemplo disso é o Mercosul, que hoje se encontra em uma união aduaneira, mas cujo objetivo final é o mercado comum. Tecnicamente, o Mercosul é uma união aduaneira imperfeita. - Mercado Comum: é uma união que implica na livre circulação de bens, serviços, trabalho e capitais. Trata-se de uma integração profunda, como é o caso União Européia. O objetivo inicial do Mercosul era chegar a um mercado comum. Se o bloco comercial der marcha à ré, e se tornar uma área de livre comércio, arrisca-se que cada país tome medidas protecionistas que reduziriam o comércio entre eles. O chanceler Adalberto Giavarini considera que o retrocesso seria "destrutivo", pois o Mercosul "é um sistema que cria comércio e fontes de trabalho". Mas, a Secretária da Indústria e Comércio, Débora Giorgi, não está tão preocupada. Segundo a União Industrial Argentina, com a qual esteve reunida, Giorgi declarou que "o governo espera que o Mercosul seja uma união aduaneira de sucesso, mas caso não seja possível, se tentará fazer uma zona de livre comércio". Giorgi também reuniu-se com integrantes da Faima, a câmara que reúne empresários do setor madeireiro. Os empresários protestaram pelo que consideram "invasão" de produtos madeireiros brasileiros, e afirmaram que as importações provenientes do Brasil equivalem a 46% da produção local de armários e 36% dos móveis de cozinha. Segundo a Faima, a concorrência brasileira, somada à desvalorização do real, causou uma redução na produtividade. Atualmente, o setor somente utiliza 20% de sua capacidade produtiva. POSTURA DE BANDEIRANTES - "Eles adotam posturas de bandeirantes", afirmou Carlos Ruckauf, governador da província de Buenos Aires, sobre os governadores dos estados brasileiros. Mas ao contrário do que pode significar no Brasil, na Argentina os bandeirantes não possuem boa fama: eles são vistos como um grupo de usurpadores que conquistavam pela força territórios da coroa espanhola, que mais tarde teriam que ter passado para a Argentina. Ruckauf considera que o modus operandi "expansionista" dos estados brasileiros, oferecendo subsídios e fazendo assim com que empresas argentinas mudem-se para o Brasil, é similar ao exercido por Raposo Tavares e seus contemporâneos. Segundo o governador, isso coloca o Mercosul em "uma área de risco".

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