Buenos Aires, 12 (AE-DOW JONES) - O vice-ministro da Fazenda da Argentina, Miguel Kiguel, afirmou que não virá do Ministério da Economia o dinheiro para salvar o Pami (órgão estatal que administra os serviços de saúde para os aposentados do país).
Segundo ele, a operação de socorro ao Pami não vai provocar ampliação do déficit fiscal do governo argentino. Falando a repórteres em Buenos Aires, o vice-ministro afirmou que "o Ministério da Economia está facilitando as negociações para um empréstimo de US$ 200 milhões de um grupo de bancos, mas o Pami terá de negociar as condições".
Kiguel acrescentou que o ministro da Economia, Roque Fernández
e outros integrantes da equipe econômica reuniram-se hoje com Eduardo Escanasy, presidente da Associação dos Bancos da Argentina, que "serviu como uma espécie de porta-voz de um possível sindicato de bancos, que ainda não foi formado".
Durante a reunião, Fernández manteve sua posição de que o Ministério "não vai contribuir com um centavo para aquele empréstimo e que a situação dos serviços de saúde não vai, de nenhuma maneira, afetar a situação fiscal do país", disse Kiguel.
"O Ministério da Economia não vai emprestar nenhum dinheiro ao Pami. Não haverá nenhum bônus, nem nada parecido", declarou o vice-ministro. Referindo-se a rumores que circularam nos últimos dias, ele também reafirmou que Fernández tem o apoio do presidente Carlos Menem nessa questão. "Fernández demonstrou que é o único a garantir a transição e que é o único que pode garantir que não haverá hemorragia fiscal. Mudar o ministro da Economia agora seria extremamente perigoso."
Kiguel lembrou o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo qual a Argentina comprometeu-se a manter o déficit fiscal de 1999 em no máximo US$ 5,10 bilhões. "Temos o compromisso de cumprir a meta fiscal acertada com o FMI, e esse compromisso será respeitado. Não tenho dúvida de que a situação financeira da Argentina e sua dívida são administráveis", acrescentou.
No período de janeiro a maio, o governo argentino acumulou um déficit orçamentário de US$ 2,38 bilhões. Segundo Kiguel, as necessidades totais de financiamento do país para 1999 somam US$ 17,5 bilhões. "Hoje, na pior das hipóteses, se incluirmos o resultado da venda da YPF, nós precisamos levantar apenas US$ 1 937 bilhão este ano. Também temos o programa de US$ 2,80 bilhões com o FMI. Mesmo que não tenhamos acesso aos mercados de capital
podemos completar nossas necessidades de financiamento e ainda deixar um colchão financeiro de US$ 800 milhões para a próxima administração", afirmou Kiguel.
Além disso, acrescentou, o FMI já anunciou que seu programa de créditos stand-by para a Argentina poderá ser ampliado para US$ 4,2 bilhões, embora as negociações para isso ainda estejam em andamento. Ele também disse que o governo vai reavaliar o plano de promover um swap de dívida de US$ 500 milhões a US$ 1,5 bilhões por bônus novos nesta semana. "Precisamos fazer consultas com os market makers e avaliar como a troca seria recebida nesta quinta-feira", declarou.

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