Governo argentino anunciará pacote contra recessão
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 23 (AE) - O governo argentino anunciará na semana que vem um pacote de medidas para combater a recessão. Entre os pontos principais estão um projeto de flexibilização trabalhista, o lançamento de um bônus para o refinanciamento das dívidas das pequenas e médias empresas, e a modificação da idade para a aposentadoria das mulheres de 60 para 62 anos.
Ao longo desta semana, integrantes da equipe econômica se reunirão com parlamentares e a Confederação Geral do Trabalho (CGT) para acertar os últimos detalhes do pacote que também incluiria a aplicação de contratos de trabalho de somente um ano de prazo e sem indenização final; a redistribuição de fundos estatais para estimular a criação de novos postos de trabalho e a regulamentação dos contratos de estágios remunerados e de aprendizagem. Além disso, projeta-se aumentar para US$ 200 a aposentadoria mínima.
A recessão argentina está provocando uma grave queda na arrecadação tributária. O sub-secretário de Política Tributarista, Guillermo Rodríguez Usé, declarou que o governo prevê uma queda de 9% na arrecadação de junho em relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo ele, a redução se deve à menor atividade econômica, o que gerou uma queda nas importações. Usé disse que a arrecadação em junho será de US$ 4,1 bilhões. No entanto, Usé estaria errado, já que baseado neste valor, a queda na arecadação será maior que 9%, e chegaria a 11% em relação a junho de 1998, quando a arrecadação foi de US$ 4,6 bilhões.
Usé também afirmou que será possível cumprir as metas fiscais pactadas com o FMI, que estipulam que o déficit fiscal este ano não ultrapassará US$ 5,1 bilhões. O vice-ministro da Economia, Pablo Guidotti, anunciou que para conseguir cumprir o objetivo, o governo utilizará US$ 1,27 bilhão conseguido com a recente licitação das novas frequências da telefonia celular. Para o segundo semestre, o governo, no caso de uma continuação da queda na arrecadação, contará com o "salva-vidas" de US$ 800 milhões da vendas das ações estatais da YPF.
Nesse contexto de crise, o setor agrícola está preparando o terceiro protesto do ano, que consistirá em uma manifestação na Plaza de Mayo no mês que vem. Os empresários do setor acusam o governo de descaso com a agricultura, castigada este ano pelo clima, a queda do preço dos commodities e as dívidas.
Nesta quarta-feira, o trânsito de Buenos Aires foi perturbado por mais protestos sociais: trabalhadores ferroviários bloquearam a Avenida General Paz (o principal anel rodoviário da capital argentina) e diversas ferrovias. Simultaneamente, motoristas de táxi protestaram contra impostos a veículos, causando o caos no tráfego no centro da cidade.


