Brasília, 24 (AE) - A Secretaria Nacional Antidrogas inicia, no próximo ano, um trabalho de mapeamento do custo social das drogas ilícitas, álcool e tabaco no Brasil. O levantamento incluirá os gastos com a prevenção, repressão, pesquisa, tratamento médico, Justiça e até mesmo a perda de produtividade que o consumo de drogas acarreta na economia do País. A Senad contará com o apoio técnico do programa das Nações Unidas para o controle internacional de drogas (Undcp).
O mapeamento do custo social das drogas, que deverá estar concluído em um ano, já foi feito no Canadá e em alguns países desenvolvidos da Europa. No Canadá, o levantamento apontou um gasto anual de 30 bilhões de dólares canadenses (cerca de US$ 25 bilhões). "Isso representa 3% do PIB do Canadá", afirmou o secretário nacional antidrogas, Walter Maierovitch, afirmando que no Brasil o custo social poderá chegar a 5% do Produto Interno Bruto.
Segundo o chefe de operações do Undpc, Giovanni Quaglia, o mais importante é que este levantamento mostra como o problema das drogas afeta a sociedade. "O estudo é importante principalmente para aqueles que têm de tomar decisões sobre o orçamento", disse, acrescentando que o público alvo são os políticos. "Se você sabe a dimensão do problema, os órgãos responsáveis tem que ter recursos para fazer seu trabalho". Para Quaglia, o trabalho irá dar à Senad os instrumentos necessários para demonstrar ao Congresso Nacional o que se gasta com drogas e que este custo deve ser visto como uma forma de investimento no Brasil.
"Se não se cuida de uma forma séria dos problemas relacionados à droga, ao crime organizado e à segurança no País não é possível o desenvolvimento sustentável, o setor privado internacional não investe, não se cria fontes de trabalho", disse. Maierovitch, argumentou que atualmente, o gasto do governo federal e dos Estados é alto, mas que existem muitas atividades repetidas. "Com o levantamento será possível até mesmo se economizar, direcionando o uso das verbas", disse. "Vamos poder arrumar a casa, reunindo as iniciativas em um único documento".
O secretário não soube dizer quantas pessoas irão trabalhar no levantamento e nem o custo total do trabalho, mas que adiantou que ele será pago com recursos do Fundo Nacional Antidrogas. "Nós vamos buscar nos diferentes órgãos do governo pessoas para fazer o levantamento, fazendo o trabalho de forma articulada".

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