Brasília, 11 (AE) - O Ministério dos Transportes vai instalar um processo administrativo disciplinar para investigar mais profundamente as denúncias, feitas em novembro, de irregularidades no pagamento de precatórios (dívidas que a Justiça manda pagar, transitadas em julgado) por parte do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).
A comissão de sindicância instalada em 19 de novembro e responsável pela apuração das denúncias concluiu que existem elementos suficientes para aprofundar as investigações.
O processo disciplinar terá um prazo de 60 dias, podendo ser prorrogado por dois meses. Durante estas investigações, deverão ser apontados os responsáveis pelas irregularidades. Segundo nota distribuída hoje pela assessoria do ministro Eliseu Padilha, este processo servirá para "apresentar conclusões concretas a respeito das denúncias". De acordo com a assessoria
as conclusões da comissão de sindicância só serão divulgadas depois de enviadas ao Ministério Público (MP), Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério da Fazenda.
Em novembro, depois das denúncias de cobrança de propinas para acelerar e adiantar pagamentos de precatórios do DNER, Padilha demitiu o então diretor de Administração e Finanças do órgão, Gilson Zerwes de Moura, e o procurador-geral substituto, Pedro Elói Soares. Os dois, que estavam no cargo desde abril, eram os principais suspeitos das irregularidades.
Na ocasião, Padilha disse, por meio da assessoria, que ainda não tinha provas contra Moura, homem da confiança dele e que trabalhava desde 1995 no gabinete do ministro dos Transportes. A decisão de exonerar os auxiliares, ainda segundo a assessoria do ministro, foi tomada "para dar mais transparência às investigações".
Até novembro, foram pagos R$ 102 milhões em precatórios, dos quais R$ 26,1 milhões se referem aos acordos feitos pela Procuradoria-Geral do DNER.
Em razão das denúncias, o ministro prestou em novembro um longo depoimento nas Comissões de Fiscalização e Controle e Viação e Transportes da Câmara. No depoimento, de quase seis horas, conseguiu afastar a possibilidade de convocação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para verificar as denúncias de corrupção no DNER.
Padilha, que foi citado por lobistas como um dos beneficiários das propinas, negou que tivesse conhecimento de irregularidades no órgão e afirmou ter tomado todas as providências para apurar as denúncias. Segundo o ministro, o DNER é uma autarquia autônoma, que tinha "absoluta competência" para fazer acordos sobre o pagamento de precatórios A diretoria do órgão também alegou ao ministro que todos os procedimentos sobre precatórios são legais, considerados de rotina na administração e "amplamente auditados". Só no DNER, existem 35.023 ações judiciais tramitando e, em todos os órgãos ligados ao ministério, cerca de 90 mil processos.

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