São Paulo - Um ambicioso plano de prevenção e controle do desmatamento da Amazônia foi apresentado ontem pelo governo federal a ambientalistas e governadores da região. Se adotado em sua totalidade, garantem os ambientalistas, pode reverter as taxas de destruição da floresta, hoje entre 17 mil e 25 mil quilômetros quadrados por ano, e impedir sua ocupação desordenada e ilegal.
Sua adoção pode, já como um de seus primeiros efeitos, obrigar o governo a reavaliar a execução de grandes obras de infra-estrutura, como hidrelétricas, hidrovias e pavimentação de estradas que rasgam as matas, anunciadas no Plano Plurianual 2004-2007.
Uma ação prioritária é o ordenamento territorial, com o cadastro das terras e a criação de unidades de conservação tais como parques, florestas nacionais e reservas extrativistas. Mais da metade dos 5 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia é de terras ''sem dono'', onde agem os grileiros. Nenhuma obra pode ser tocada sem esse ordenamento. Um exemplo seria a BR-163, de Cuiabá a Santarém, considerada de ''elevado potencial de desflorestamento''. A recomendação é de que ela só seja executada com estudos que avaliem os custos e benefícios.
O relatório Plano de Ação para a Prevenção e o Controle do Desmatamento da Amazônia Brasileira contém as primeiras propostas do grupo interministerial que foi criado em julho. A proposta será discutida até o fim do mês por ambientalistas e governadores. A expectativa da ministra Marina Silva é que já no ano que vem comece a ser executado.

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