O Ministério da Justiça está apoiando a criação de uma rede nacional de proteção aos homossexuais. Uma das principais ações do projeto é a implementação de cursos especializados para policiais civis e militares com o objetivo de estimular uma conduta mais respeitosa com os gays. O anúncio foi feito ontem pelo assessor especial da Secretaria de Direitos Humanos do Ministério, Ivair dos Santos, durante a II Conferência da América Latina e Caribe da Associação Internacional de Gays e Lésbicas.
A rede de proteção está sendo desenvolvida em parceria com a Associação Brasileira de Gays e Lésbicas. ‘‘O objetivo é interligar todos os movimentos brasileiros, trocando informações sobre legislação, por exemplo, e criando canais de interlocução com o Ministério Público’’, explicou Santos. ‘‘Não há nenhum obstáculo à criação da rede, uma vez que a verba já está prevista no Plano Plurianual.’’ Ele não soube informar, no entanto, o montante da verba.
O curso para policiais será desenvolvido a partir da experiência do Rio de Janeiro. Segundo Santos, a proposta do ministério é estender o curso para o maior número possível de Estados, em especial aqueles em que a intolerância a grupos gays é mais séria, como a Bahia. ‘‘Ainda existe muita resistência ao tema, tanto na sociedade civil como no governo’’, admitiu. ‘‘O tema ainda é muito difícil de ser debatido, as pessoas não estão abertas a ele’’. O ministério vem apoiando diversas ações e contribuiu com R$ 36 mil para a realização da conferência.
O coordenador-geral do encontro, Cláudio Nascimento, anunciou ontem a criação de uma Associação de Gays e Lésbicas da América Latina e do Caribe, cuja sede deverá ser no Brasil. ‘‘O movimento gay é organizado em quase todos os países latino-americanos e caribenhos’’, constatou Nascimento.

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