Governo anuncia verba para hemocentros e quer mais rigor no setor
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 24 (AE) - As unidades de hemoterapia terão de ser mais rigorosas e fazer dois tipos de teste para detectar o vírus da aids no sangue coletado no País e usado para transfusão. Até agora a regra era fazer apenas um teste. Hoje o Ministério da Saúde anunciou a aplicação de mais R$ 48 milhões para melhorar o controle do sangue processado no País. Com isso, o total previsto para o setor no orçamento do Ministério da Saúde neste ano cresceu para R$ 295 milhões, 19% a mais do que no ano passado.
Ainda não há garantia da qualidade de pelo menos 10% do sangue usado no País, segundo o próprio governo. Os novos recursos são carimbados, ou seja, os governadores terão obrigatoriamente de aplicá-los no setor.
Além de maior controle quanto à aids e outras doenças transmissíveis pelo sangue, o dinheiro novo será usado também para pagar as unidades que atualmente só coletam o sangue e não fazem os exames preventivos. Serão beneficiados principalmente os pequenos hemocentros de regiões mais afastadas. Eles poderão ganhar pela coleta e enviar o sangue para exames em unidades mais estruturadas.
Em 1996 o governo federal fez inspeção em 373 dos 1.500 hemocentros. O número aumentou para 587 no ano passado e chegará a 750 este ano. Essas unidades são responsáveis por 90% do sangue processado no Brasil.
O ministro da Saúde, José Serra, adiantou hoje que nos dias 5 e 6 de julho haverá uma reunião para avaliar as inspeções feitas nos hemocentros envolvidos na suspeita de contaminação do sangue pela aids e hepatite B. O problema levou à interdição preventiva da linha de produção de albumina do Hemocentro de Pernambuco, dia 14 de maio.


