Governo anuncia punição para trabalho escravo
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Agência Estado 
Brasília- O governo está preparando uma ''lista suja'' de empresas que já foram processadas por explorar trabalhadores em regime de escravidão. Além das sanções judiciais, essas empresas terão suspensas as linhas de financiamentos públicos. O anúncio foi feito ontem pelo ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, durante o lançamento de uma campanha nacional pela erradicação do trabalho escravo. ''Nenhuma firma que tenha sido julgada e condenada por este tipo de crime, poderá ter empréstimos de bancos oficiais'', disse Miranda.
O Congresso também está se mobilizando no mesmo sentido. ''Vamos criar uma subcomissão só para investigar as denúncias de exploração de trabalhadores escravos, além de apressar a tramitação de projetos relacionados a este tema, como o aumento de penas para os criminosos'', disse o deputado Sandro Mabel (PL-GO), presidente da Comissão do Trabalho da Câmara.
Hoje, o presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP) confirmou que ainda este ano, os parlamentares devem aprovar uma legislação que vai desapropriar as terras dos fazendeiros que mantenham trabalhadores cativos.
Somente neste ano, o Ministério do Trabalho, a Polícia Federal e o Ministério Público libertaram 4.400 pessoas escravizadas por cerca de 200 empresas. Entre multas e indenizações, elas tiveram de pagar R$ 6 milhões. ''O ressurgimento de mais casos sobre trabalho escravo é uma mostra de que está havendo uma fiscalização'', avaliou o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Francisco Fausto.
A campanha lançada ontem foi feita por voluntários e será vinculada em todo o País, pelos meios de comunicação. Serão vários anúncios de jornais e vídeos com o lema ''Trabalho Escravo. Vamos abolir esta vergonha''.


