Brasília- Os sistemas de saúde estaduais e municipais terão que integrar o atendimento pré-natal das gestantes e o local onde efetivamente o parto será realizado. A medida faz parte de uma série de alterações no atendimento das maternidades, anunciadas ontem pelo Ministério da Saúde, que pretendem tornar mais fácil e, principalmente, menos perigosa, a hora de dar à luz. As maternidades também vão passar a permitir que um acompanhante - o pai da criança ou alguém indicado pela gestante - possa assistir ao parto e ficar com a mulher no período antes e depois de dar à luz. É um procedimento comum em hospitais privados, mas raro nas instituições públicas.
A Pesquisa Nacional de Demografia em Saúde, apresentada no início do mês, mostrou que 40% das mulheres não sabem para que hospital devem ir na hora do parto, apesar de hoje a maioria fazer exames pré-natais. Essa falta de articulação do sistema de saúde pode ser uma das causas de mortalidade materna, um problema ainda grave no Brasil. ''Temos casos de mulheres que morrem no parto mesmo depois de terem feito oito exames pré-natais'', disse Adson França, diretor de ações programáticas da secretaria de Atenção Básica do Ministério da Saúde. O fato de a mulher fazer o parto em um hospital onde não há seu histórico de exames pode ser uma causa dessas mortes. A outra, problemas de qualidade nos próprios exames pré-natais.
A nova resolução inclui, ainda, mudanças físicas. Os hospitais terão que oferecer às gestantes quartos com banheiro em anexo para que possam ficar antes e depois do parto, incluindo locais para que o bebê possa ficar junto com a mãe. O ministério esclarece que os quartos não precisarão ser privativos, mas terão que ter espaço, inclusive, para que as mulheres possam caminhar antes de dar à luz, o que ajuda no parto.A resolução também inclui a oferta de métodos alternativos de combate à dor, que não incluam medicamentos.
O Ministério da Saúde não apresentou custos para essas mudanças e nem há previsão de novos recursos a serem enviados para Estados e municípios para ajudar na implantação do programa, nem mesmo para as obras que terão que ser feitas. ''Os recursos já são repassados para Estados e municípios dentro da política de humanização e qualificação do parto'', afirmou França. ''Nossa expectativa é que os gestores locais também aloquem recursos, quando necessário''.

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