Agência Estado
De Brasília
O governo vai liberar nesta semana empréstimo de até R$ 2 mil por família assentada em áreas de reforma agrária, em todo o País, dispensando temporariamente a exigência de projeto detalhado de investimento e custeio. A medida atende à principal reivindicação do MST, que promoveu um acampamento na frente da fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). Os sem-terra e assentados cobravam a liberação dos recursos de custeio para o plantio e desmontaram o acampamento no local anteontem.
A decisão foi anunciada ontem após reunião de dirigentes do MST e do Incra, em Brasília. O governo vai exigir dos assentados apenas a apresentação de projetos resumidos, que poderão ser levados diretamente às agências do Banco do Brasil. Os projetos completos de investimento e custeio, para empréstimos até o teto de R$ 9.500,00 por família, deverão estar prontos até 31 de março.
‘‘Infelizmente a reforma agrária só anda com mobilização e pressão’’, disse Lucídio Ravanello, um dos coordenadores do MST, afirmando que ações semelhantes à feita diante da fazenda de Fernando Henrique, em Buritis, poderão ser adotadas para pressionar o governo.
O presidente do Incra, Orlando Muniz, negou que a liberação de recursos, mediante a apresentação de um projeto resumido de custeio e investimento, seja resultado de pressão do MST. ‘‘Já vínhamos trabalhando a questão do crédito e os recursos estavam no Banco do Brasil’’, disse Muniz, que ameaçou suspender as negociações com o MST caso haja outro acampamento na frente da fazenda de FHC.
A pressa em liberar os recursos estava ligada à proximidade do dia 30, data-limite para o plantio, aproveitando o período de chuvas. O Incra vai enviar agrônomos aos assentamentos para orientar os agricultores na preparação dos projetos. Segundo Muniz, no entanto, o governo não aceitou desvincular os projetos de custeio dos de investimento, como queria o MST.

mockup