Brasília e São Paulo - O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas educacionais) anunciou nesta quarta-feira (20) o adiamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2020. As datas serão postergadas de 30 a 60 dias em relação ao previsto nos editais. Assim, a prova deve ocorrer em dezembro ou janeiro.

O adiamento das provas tem sido defendido por secretários de Educação e especialistas por causa do risco de aumento de desigualdades com a interrupção de aulas provocada pela pandemia. O exame é a principal porta de entrada para o ensino superior público.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, era contra o adiamento e vinha se esforçando para dar cores ideológicas às demandas pela remarcação da prova. Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) havia defendido "esperar um pouquinho mais" para se definir sobre o tema, mas, pelas redes sociais, escreveu no meio da tarde sobre o adiamento.

"Por conta dos efeitos da pandemia de Covid-19 e para que os alunos não sejam prejudicados pela mesma, decidi, juntamente com o presidente da Câmara dos Deputados [Rodrigo Maia, DEM-RJ], adiar a realização do Enem 2020, com data a ser definida", escreveu em sua conta no Facebook.

A reportagem mostrou na terça-feira (19) que o Inep, órgão ligado ao MEC e que organiza o Enem, já analisava novas datas para as provas a pedido do próprio Weintraub. A nova postura do ministro ocorreu após avaliação de que o Congresso aprovaria o adiamento.

Segundo o Inep, tanto as provas em papel quanto as digitais, que ocorrerão em projeto-piloto, serão adiadas. As aplicações estavam marcadas para 1º e 8 de novembro (em papel) e 22 e 29 de novembro (no computador). O governo manterá a previsão de uma consulta pública com os participantes.

Segundo relatos de técnicos ouvidos pela Folha, uma nova data só será definida após a consulta, mas a ideia é que haja na consulta as opções de adiamento entre 30 e 60 dias. As inscrições para o Enem terminam nesta sexta-feira (22).

Educadores ouvidos pela reportagem aprovam a decisão de adiar do Enem, mas avaliam que o prazo de 30 dias, aventado pelo Inep para a realização da prova, não é suficiente para reduzir a desigualdade de condições entre os candidatos. "Mais uma vez não olhamos as experiências internacionais", disse Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

A UNE (União Nacional dos Estudantes) defende a criação de um grupo de trabalho com a participação de representantes dos estudantes, professores, secretarias de educação, reitores das universidades e MEC (Ministério da Educação) para sugerir uma nova data para o Enem.

“O ideal é que seja marcado para o fim do ano letivo, mas é preciso levar em conta o tempo necessário para que os estudantes não sejam prejudicados”, afirmou o presidente da UNE, Iago Montalvão.

No Paraná, a Apiesp (Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público) também se manifestou, antes do anúncio do adiamento, por meio de documento foi encaminhado ao ministro da Educação e os deputados e senadores do Paraná. “É muito preocupante, diante desse cenário que nós estamos agora, já ter uma data definida para o Enem, sendo que nem mesmo nós sabemos como vai ser o retorno das atividades”, argumenta a presidente da Apiesp, Fátima Aparecida Padoan, também reitora da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná).(Colaborou Viviani Costa/Reportagem Local)

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