O governo decidiu antecipar o concurso para a agentes e delegados da Polícia Federal. Em vez de enviar projeto de lei ao Congresso, o Palácio do Planalto vai editar uma medida provisória, abrindo o concurso para 2 mil policiais, já na terça-feira. Inicialmente, a idéia do governo era fazer um concurso para a ocupar cerca de 500 vagas de policiais que se aposentaram e outras mil seriam criadas para atender principalmente as áreas de fronteiras e o combate ao crime organizado.
A medida foi um acordo feito entre o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Com um quadro de cerca de 6 mil funcionários - sendo 4.800 na função policial e o restante no quadro administrativo -, a PF é considerada hoje uma das polícias mais bem preparadas do País. No Plano Nacional de Segurança Pública figura como a centralizadora das principais ações de combate à violência.
O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) está revendo sua decisão de mostrar aos governadores as medidas do plano antes do anúncio oficial previsto para a terça-feira. Primeiro porque a maior parte delas já foi vazada para imprensa. Segundo assessores do governo, as medidas são de adesão e de prêmio aos Estados que conseguirem reduzir a criminalidade em seu território.
Há ainda outro problema. O desenrolar trágico do sequestro de um ônibus na zona sul do Rio na segunda-feira precipitou o anúncio, mas o texto preparado não agradou ao presidente.
A avaliação é que o ministro da Justiça, José Gregori,
Gregori acabou falando mais do que devia e anunciando investimentos de R$ 700 milhões para a área de segurança. As declarações causaram ‘‘um mal-estar’’ no governo já que os ministros da área econômica não sabiam ainda de onde sairia o dinheiro.

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