Governo analisa projetos para fixação de carbono
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quinta-feira, 22 de abril de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O governo brasileiro já está aceitando, para análise, os projetos empresariais para fixação de carbono na atmosfera. Em setembro do ano passado foi aprovada resolução para que processos sejam submetidos ao crivo do governo federal, que deverá validá-los. Já estão sendo analisados dois grandes projetos de aterro sanitário, sendo um no Rio de Janeiro e outro na Bahia.
De acordo com o coordenador geral da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, do governo federal, José Domingos Gonzalez Miguez, esses dois projetos deverão ser os primeiros aprovados para o projeto de fixação de carbono, também conhecido como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). A informação foi uma resposta de Miguez aos empresários que criticam o governo brasileiro de retardar o processo de validação.
Miguez esteve em Curitiba durante o 2º Simpósio Latino Americano sobre Fixação de Carbono, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Instituto Ecoplan, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) do Paraná. O evento é uma iniciativa para esclarecer a sociedade sobre as regras a serem seguidas para encaminhamento dos projetos de MDL. No Paraná há um grupo forte de madeireiros interessados e que precisam conhecer as regras, disse o coordenador do simpósio, Marco Aurelio Ziliotto.
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo prevê que cada tonelada de dióxido de carbono (CO2) deixada de ser emitida ou retirada da atmosfera através de projetos de reflorestamento ou de substituição de energias, poderá ser negociada no mercado mundial, criando assim um mercado para a redução das emissões globais de poluentes.
Essa estratégia pretende antecipar o protocolo de Kyoto, que ainda não foi assinado. O protocolo prevê que os países industrializados reduzam a emissão de poluentes na atmosfera. Na incerteza se ele será ou não assinado, o MDL está despertando a atenção principalmente de países europeus e do Canadá que querem se adiantar e comprar os créditos de carbono num mercado paralelo.
Há cerca de dois meses, um grupo de empresários italianos esteve na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) disposto a firmar contratos para compra de créditos de carbono. Em vão porque o governo brasileiro não tinha validado os projetos até então apresentados. Miguez acredita que está havendo especulação e alguns países estão tentando comprar créditos de carbono antes da assinatura do protocolo para depois negociá-los num mercado paralelo.
O professor Marcelo Theoto Rocha, da Universidade São Paulo (USP), diz que assim que o protocolo de Kyoto for firmado, o Brasil terá condições de ter mais de 18% do mercado e faturar entre US$ 350 milhões a US$ 400 milhões. Rocha calcula que cerca de 50 projetos já estão em condições de serem submetidos à análise. Hoje, segundo ele, a tonelada de dióxido de carbono (CO2) no mercado está avaliada entre US$ 2 a US$ 6 a tonelada.


