Curitiba - O Ministério da Educação e Cultura (MEC) pretende ampliar, a partir do ano que vem, a distribuição de livros didáticos em braile para todas as séries do ensino fundamental. Até este ano, apenas os alunos de 1 a 4 séries, portadores de deficiência visual, estavam sendo beneficiados. Para isso, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) está realizando um censo para detectar o número de alunos cegos e com baixa visão que estão matriculados no ensino público fundamental e o número de professores que dominam o método braile e estão aptos a trabalhar com esses alunos.
O levantamento está sendo feito em parceria, pelo Inep e a Secretaria da Educação Especial (Seesp), órgão vinculado ao MEC, e deve durar até o dia 18 de junho. Segundo dados do Censo Escolar Especial de 2002, existem no Brasil 20.257 estudantes do ensino básico de escolas públicas com problemas visuais. Dentre eles, 9.622 estudam em escolas especializadas ou em classes especiais de escolas regulares; 7.275 em classes comuns de escolas que não possuem salas de recursos; e 3.360 em classes comuns de instituições que possuem salas com recursos.
Segundo a Secretaria de Estado da Educação, existem apenas duas instituições especializadas para atender os 3.310 alunos portadores de deficiência visual no Paraná: a Escola Osni Macedo Saldanha, que trabalha também com o ensino fundamental, em Curitiba, e o Instituto Londrinense. Do número total de estudantes portadores de deficiência visual, 774 são cegos e 2.536 possuem baixa visão, ou seja, necessitam de atendimento e material didático especializado.
Existem também, no Estado, 183 centros de atendimento especializado, e dois centros de apoio pedagógico (CAP), um em Maringá e um em Curitiba. Na Capital, a produção de livros é feita no CAP e na Associação dos Deficientes Visuais do Paraná (Adevepar). Os centros de atendimento especializado chegam a prestar atendimento a alguns alunos dentro da própria escola.
Dados da Secretaria de Educação mostram que 674 escolas tradicionais de ensino fundamental, estaduais, particulares e municipais, possuem alunos portadores de deficiência visual. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, existem também, no Paraná, oito escolas especiais que realizam atividades extra-curriculares com os alunos. No Brasil existem, segundo a Seesp, 29 CAPs, que são ligados ao MEC. Segundo Maria Glória Batista da Mota, assessora da Seesp, no Paraná são dois: um em Curitiba e outro em Maringá.
O Programa Nacional do Livro Didático, que existe desde 2001, distribuiu 1.440 livros no ano passado. Este ano, a meta da Seesp é que a distribuição das publicações seja ainda maior. ''Nos censos de 2001 e de 2002, o relatório foi enviado apenas via Internet. Isso fez com que nós não obtivéssemos um resultado completo, pois muitas escolas pequenas, geralmente as do interior, não são informatizadas'', disse Maria Glória. O CAP, em Curitiba, não soube quantificar a distribuição de livros no Estado.
No censo de 2001, por exemplo, foram identificadas 4.500 escolas públicas que tinham alunos portadores de deficiência visual. De acordo com a assessora, alunos da rede de ensino particular também podem receber gratuitamente os livros didáticos em braile, basta a escola cadastrá-lo na Seesp. Este ano, o levantamento está sendo feito via Internet e por correspondência. ''Nós pretendemos atingir um número bem maior.''
Todas as escolas que tenham alunos portadores de deficiência visual constantes do cadastro do Inep já estão recebendo o formulário impresso. O Inep ainda não possui dados sobre o novo levantamento. A Seesp não soube informar quantos livros devem ser distribuídos neste e no próximo ano pois acredita que o número de alunos cegos e com baixa visão deve aumentar, mas não sabe quantificar o provável aumento. A Seesp ainda não definiu a data de distribuição de livros para este ano.

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