O governo federal resolveu endurecer com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) depois da onda de invasões de prédios públicos iniciadas na segunda-feira em todo o País. Determinou à Polícia Federal a identificação e prisão preventiva de todas as lideranças envolvidas nas ocupações. Até ontem à noite, segundo o Ministério da Justiça, 14 coordenadores do MST haviam sido identificados.
Pelo levantamento feito pela Divisão de Conflitos Agrários e Fundiários da PF, até o início da noite de ontem haviam sido registradas invasões em prédios públicos em nove Estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia e Amazonas. Em quase todos já haviam sido expedidos mandados de reintegração de posse pela Justiça estadual, determinando a desocupação dos prédios.
A decisão foi tomada depois de uma reunião entre os ministros da Justiça, José Gregori, e do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, com o diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, e o advogado geral da União, Gilmar Mendes. No encontro, ficou decidido, ainda, que a PF vai abrir inquérito contra todas as pessoas que lideraram as invasões de prédios públicos.
De acordo com nota divulgada pelo Ministério da Justiça, já haviam sido identificadas e podem ter a prisão preventiva pedida a qualquer momento, Arivaldo Firmino de Lima e José Mauro dos Santos (Mato Grosso do Sul), Altamiro Stochero e Valdir Correia (Mato Grosso), Rogério Mauro e Ireno Rockman (Paraná), Euclides dos Santos Rodrigues e Irma Brunetto (Santa Catarina), Luiz Alberto e José Borges de Oliveira (Rondônia), Amarildo Pereira e Paulo Júnior (Amazonas), Airton Groda, Neuro Pereira e Ivanete Bonin (Rio Grande do Sul).
Curitiba Ontem, a Justiça Federal determinou a desocupação da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Curitiba, ocupada desde segunda-feira por cerca de 600 integrantes do MST. O juiz substituto Eduardo Didonet Teixeira, da 6ª Vara Federal, deu prazo de 24 horas para a desocupação pacífica do prédio, a contar da notificação, que estava prevista para ser cumprida ontem à noite. Após esse prazo, está autorizado o uso de força policial para a desocupação.
No início da noite de ontem, a coordenação do MST ainda não havia decidido o que fazer. ‘‘Vamos esperar a notificação. Ainda esperamos alguma atitude positiva do governo amanhã (hoje), recebendo nossos representantes que estão em Brasília’’, disse ontem à noite José Damasceno, integrante da coordenação do MST no Paraná.
A ocupação da sede do Incra trouxe poucos resultados práticos para o movimento no Paraná. As principais reivindicações locais são a saída do superintendente do Incra José Carlos Vieira e a vinda de uma comissão do Incra de Brasília para discutir a elaboração de um plano emergencial de assentamentos.(Colaboraram Maigue Gueths e Luis Lomba, de Curitiba)

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