Brasília, 27 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, disse hoje que acredita que as investigações da CPI dos Bancos não trouxe até agora prejuízos à imagem do governo. "O governo, evidentemente, ainda não foi manchado em nada, até porque se Chico Lopes ou qualquer outra pessoa deu informações privilegiadas, essa pessoa é que tem que pagar", afirmou. Segundo o senador, problemas como este podem acontecer na casa de qualquer um.
ACM defendeu que o governo envie alguém, "pode ser Malan, pode ser Armínio, pode ser alguém do governo, que venha a se colocar espontaneamente à disposição da CPI". Segundo o senador, a comissão não tem interesse em chamar essas autoridades, pois, de certa forma, já formou o juízo sobre Chico Lopes. Ele disse que não discutiu o assunto com o presidente Fernando Henrique. "É uma questão de estilo", disse o senador. ACM afirmou que, no lugar do presidente Fernando Henrique, se adiantaria à CPI, perguntaria sobre o que os senadores querem saber e enviaria um emissário para dar as respostas. "Mas o presidente é maior e nem sempre gosta das minhas sugestões", disse.
Juiza - O presidente do Senado fez uma defesa pública da juíza da 6ª Vara Federal, Ana Paula Vieira de Carvalho, e dos procuradores responsáveis pela busca e apreensão dos documentos na casa do ex-presidente do BC, Francisco Lopes. "Mais do que nunca todos os que criticaram a ação do Ministério Público e da juíza do Rio têm que agradecer a atitude que tomaram porque quem procede como ele (Lopes) ontem procedeu, iria retirar tudo o que tivesse em casa", disse ACM.
Segundo ele, a situação de Lopes está cada vez pior pois "quando ele podia se defender, não se defendeu, fugiu". Ele acha que o economista foi aconselhado de forma errônea por advogados que não estariam "a altura do assunto". Magalhães previu que a CPI do Sistema Financeiro não deverá convocar novamente o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, pois já dispõe de elementos suficientes para culpá-lo. "Agora, só se ele pedir para depor", afirmou ACM.
Ao comentar sobre o habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, no qual garante a Lopes o direito de não responder perguntas que o incriminem, caso seja convocado novamente, Magalhães disse que essa deveria ter sido a atitude do ex-presidente do BC, ontem. "Ele poderia ter se limitado a responder as perguntas que não o incriminassem".

mockup