Brasília, 19 (AE) - O governo ainda não descartou a possibilidade de chegar ao ano com a balança comercial equilibrada ou até mesmo com um pequeno saldo positivo. "Achamos que dá para ficar no zero a zero ou até mesmo fazer um pequeno superávit", disse hoje a secretária de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Lytha Spindola. "Estamos trabalhando para isso." Ela admitiu, porém, que a missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) que se encontra no País deverá levar, entre suas estatísticas, uma projeção de déficit comercial para 99. "Isso é uma coisa dinâmica, que muda a cada dia", justificou, referindo-se às projeções sobre o comportamento da balança.
Ela acredita que o equilíbrio será possível porque as exportações melhoram seu desempenho a cada mês e as importações estão inferiores às do ano passado. Segundo a secretária, dados preliminares sobre a balança em outubro - quando ocorre a maior parte das encomendas para o Natal - mostram que o entusiasmo dos brasileiros por bens importados está diminuindo. As importações ocorridas no período de janeiro a setembro, divulgados hoje, já mostram essa tendência. As compras de aparelhos para uso doméstico, por exemplo, já caíram 41,7% com relação a igual período de 98, enquanto as importações de roupas declinaram 45 4%. As importações de automóveis já registram queda de 54% neste ano.
De janeiro a setembro, a balança comercial acumula um déficit de US$ 773 milhões. As exportações, que somam US$ 35,027 bilhões, estão 11,23% abaixo do valor registrado em igual período de 98 e as importações, no total de US$ 35,8 bilhões, caíram 16,93%, na comparação com o ano passado.
Lytha Spindola ressaltou que, apesar de estarem abaixo do nível registrado em 98, as exportações estão em trajetória de recuperação. Em janeiro, o total das vendas externas estava 24 7% menor do que em janeiro de 98. Já no período janeiro e fevereiro, a diferença havia caído para 18,6%. No período janeiro a junho, as exportações estavam 13,6% abaixo das ocorridas em igual período de 98. Em setembro, a diferença no saldo acumulado havia caído para 11,2%. "Está melhorando a cada mês", disse a secretária.
A recuperação está ocorrendo, a despeito de o preço das commodities agrícolas no mercado internacional haver caído, em média, 35% neste ano. Segundo Lytha Spindola, apesar da redução de 12,5% nos preços das exportações brasileiras em geral, os volumes embarcados cresceram 1,8%.
Uma simulação feita pelo Ministério do Desenvolvimento mostra que se os preços dos produtos agrícolas tivessem ficado, em 99, no mesmo nível do ano passado, as receitas com exportações deste ano estariam US$ 2,780 bilhões maiores.
Os dados divulgados hoje mostram que aumentaram em 7,36% as vendas brasileiras para os Estados Unidos. As vendas para a Coréia do Sul cresceram 25,45%, para Cingapura subiram 51,59% e, para a Índia, 132,4%. Esse movimento explica, em parte, a tendência de melhora nas exportações.
No entanto, se por um lado estão sendo encontrados novos mercados, por outro o Brasil está vendendo menos para seus maiores clientes. Para a União Européia, principal comprador do Brasil, a queda neste ano já chega a 10,2%. Também houve redução de 28,6% nas vendas para a América Latina, onde os países enfrentam retração econômica. A região, que foi o segundo principal mercado comprador no ano passado, em 99 perdeu o posto para os Estados Unidos.

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