Brasília, 13 (AE) - O governo manterá a cautela e a discrição nos comentários sobre a crise argentina, reforçando que o presidente Carlos Menem e seus ministros terão sabedoria para enfrentar a crise que afeta a economia daquele país. A uniformização do discurso visa a evitar uma interferência indevida nos problemas econômicos do País vizinho.
O governo, no entanto, sabe que uma crise cambial na Argentina afetará Brasil. A diferença, segundo assessores que analisam o episódio argentino, está na política de câmbio flutuante adotada pelo governo brasileiro.
Os economistas lembram que, "apesar da crise reverberar" no Brasil, o governo dispõe de mecanismos de defesa que permitem a rápida acomodação do mercado de câmbio. Além, é claro, do próprio instrumento de intervenção definido no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Nas discussões sobre a crise argentina, o cenário traçado pelos economistas do governo considera que até outubro, quando se realizam as eleições presidenciais na Argentina, podem ocorrer novas turbulências.
A questão que se coloca é a capacidade do governo Menem de resistir à pressão por mudança na política cambial. Uma fonte do governo não aposta na deterioração do quadro argentino por um motivo simples: a aposta no Brasil é que Menem será bem-sucedido nas negociações com o FMI.

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