Brasília, 10 (AE) - O governo repassará ao preço dos combustíveis, em algum momento, o efeito da desvalorização cambial. Foi o que admitiu hoje o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera. "No momento, não há nenhuma previsão de aumento", ressalvou. Ele explicou, porém, que parte do impacto da valorização do dólar ante o real acabará pressionando o preço dos combustíveis, em um prazo que não é possível precisar. "Vamos adiar ao máximo", garantiu.
A necessidade de aumentar ou não o preço final dependerá da variação dos preços internacionais do petróleo e da demanda interna. Enquanto houver condições de o governo absorver o impacto da desvalorização cambial sobre as importações de petróleo, os preços nos postos não terão nenhum aumento.
No entanto, o governo federal não está disposto a injetar recursos próprios para evitar aumentos nos preços dos combustíveis. "Não vamos voltar com subsídios à gasolina para que pessoas ricas andem de carro", disse o secretário.
Ele explicou que a decisão de repassar o impacto da desvalorização cambial tem de levar em conta, por um lado, a necessidade de manter o ajuste fiscal - evitando aumento das despesas do governo com um eventual subsídio à gasolina. Por outro lado, é necessário considerar o perigo do retorno da inflação.
O secretário negou que o governo esteja, no momento, analisando qualquer aumento nos combustíveis. "Não estamos fazendo nenhum estudo nesse sentido", afirmou.
O que permitiu segurar os preços dos combustíveis até o momento, segundo explicou Considera, é o saldo da conta da Parcela de Preços Específico (PPE). Nessa conta, é depositada a diferença entre os preços cobrados pela Petrobrás e os valores que a estatal desembolsa na aquisição de petróleo no mercado externo.
Nos últimos meses, com a queda na cotação internacional do produto, a PPE acumulou um saldo, ou "colchão", no jargão técnico. Em dezembro, a conta recebeu R$ 570 milhões e em janeiro, "um pouco menos", segundo Considera. A estimativa era de que, em 99, a conta receberia R$ 4,950 bilhões.
O secretário explicou que o saldo da PPE é o que permite ao governo evitar o aumento combustíveis. A manutenção dos preços até o momento consumiu parte do "colchão", segundo admitiu Considera.
Ele não revelou o saldo atual, nem quis estimar por quanto tempo o governo conseguirá evitar o aumento. Quando o saldo da PPE se esgotar, o aumento nos custos da Petrobrás serão repassados ao consumidor. A alternativa a isso seria um subsídio governamental à gasolina - coisa que o secretário descarta.

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